Por que tantos investidores gostam de perder dinheiro?
Publicado em 11.10.2011 por Rafael Seabra em Educação Financeira
Você sabia que o termo “ganhar dinheiro” é pesquisado 550 mil vezes por mês no Google? E que o termo “perder dinheiro” só é pesquisado 1.600 vezes? Entretanto parece que a maioria das pessoas pesquisa uma coisa, mas faz outra. Você certamente deve estar se perguntando: “Por que ele está escrevendo isso?”. Explico.
Li um artigo fantástico escrito por Lilian Gallagher, onde descobri que as três maiores gestoras de recursos do país (Banco do Brasil, Itaú e Bradesco) detém 50,1% do mercado. Considerando que a indústria de fundos de investimento movimenta R$ 1,5 trilhão, esse percentual é muito relevante (e preocupante!).
Para completar, as oito maiores gestoras de fundos são responsáveis por 74,9% desse mercado, (mais de R$ 1,1 trilhão sob gestão). Ah, detalhe importante: são todas ligadas a bancos ou o próprio banco.
O objetivo deste artigo é mostrar porque a maioria as aplicações oferecidas por bancos são benéficas apenas para as próprias instituições financeiras, e não para o bolso dos clientes.
Títulos de capitalização e cadernetas de poupança
Já explicamos em outros artigos no Quero Ficar Rico que tanto títulos de capitalização quanto cadernetas de poupança não são investimentos. Enquanto a poupança rende mensalmente TR + 0,5% e tem muita dificuldade para alcançar – ao menos – a inflação, os títulos de capitalização são ainda piores: são corrigidos apenas pela TR (Taxa Referencial).
Isso significa que num cenário onde a inflação dos últimos doze meses (outubro/10 – setembro/11) alcançou 7,23%, quem aplicou na poupança “perdeu” dinheiro (rendeu apenas 6,81% no mesmo período) e quem comprou títulos de capitalização foi “assaltado” (rendeu menos de 1% no período).
Para entender melhor essas perdas, recomendo a leitura dos artigos “Entenda como funcionam os títulos de capitalização” e “Entenda a diferença entre poupança e investimento“.
Planos de previdência privada
Na teoria, esses planos são excelentes. Também conhecidos como previdência complementar, têm o objetivo de aumentar o dinheiro a receber na aposentadoria, para não depender exclusivamente dos proventos do INSS.
O grande problema é que a esmagadora maioria dos planos de previdência privada dos bancos possui taxas altíssimas! Quando somadas, muitas vezes as taxas de administração e carregamento superam os 5% ao ano.
Minha sugestão é que você pesquise bastante e não escolha um plano que possua mais de 2% ao ano de taxas (na soma delas!). Qualquer valor acima disso pode até comprometer a sua aposentadoria.
CDBs
O CDB parece ser o produto perfeito para ser vendido pelos bancos. Inclusive muitos investidores “morrem de amores” por ele justamente por não possuir taxa de administração. E isso é uma verdade. Os CDBs não possuem taxa de administração.
E qual o problema dos CDBs de grandes bancos, afinal? O porém está no percentual do CDI. Quem já investiu em CDBs sabe que a grande maioria é indexada pelo CDI. Ou seja, a rentabilidade dessa aplicação é dada por um percentual do CDI.
É aí onde entra a “mordida” do banco. Enquanto é possível investir em aplicações que rendem próximas a 100% do CDI com baixíssimo risco (LTF é um exemplo), os grandes bancos só oferecem percentuais até 90% do CDI para pequenos valores.
Para saber mais sobre CDB, recomendo a leitura do artigo “O que é CDB (Certificado de Depósito Bancário)?“.
Fundos de investimento em renda fixa
Os fundos de investimento em renda fixa são razoavelmente simples e investem basicamente nos mesmos produtos. A maior parte do capital é alocado em títulos públicos e uma parcela menor é aplicada em títulos privados (CDBs, debêntures, entre outros).
Como a gestão desses fundos não exige muito esforço, o esperado era que as taxas de administração fossem baixas. Entretanto essa não é a realidade dos grandes bancos para fundos de renda fixa com baixa aplicação inicial.
Existem fundos de renda fixa em bancos que cobram mais de 3% ao ano como taxa de administração. Isso é muito alto!
Para saber mais sobre esse tópico, recomendo o artigo “Monte seu fundo referenciado DI através do Tesouro Direto“.
Fundos de investimento em ações
Apesar desses fundos exigirem muito mais dos gestores, afinal o mercado de ações é muito mais complexo que o de renda fixa, ainda assim as taxas cobradas são absurdas. Escrevi detalhadamente sobre esse assunto no artigo “Por que não investir em fundos de investimento?“.
Além da sugestão acima, recomendo também o comentário do Mauro Halfeld, da CBN, no dia 05/10/2011. Ele deu algumas sugestões para um investidor que aplicou seu dinheiro num fundo de investimento em ações da Petrobras, através de um banco. Como esse investidor perdeu muito dinheiro e a taxa de administração do fundo é de 5% a.a., a principal sugestão foram fundos de índice, também conhecidos como ETF.
Conclusão
A mais importante conclusão que devemos tirar deste artigo é que as principais atividades de um banco é emprestar dinheiro e vender seguros (das mais diversas formas). Não é gerir recursos dos seus clientes. Mas pagar o mínimo possível por eles (através dessas formas explicadas acima) e emprestar para os clientes pela maior taxa de juros possível. Basta conferir a taxa do cheque especial para entender.
Conrado Navarro, do Dinheirama, escreveu um excelente artigo que trata dessa questão: “Qual o verdadeiro papel do gerente bancário?“. Uma das principais conclusões deste artigo é que os gerentes dos bancos não são consultores de investimentos, mas vendedores.
Por fim, recomendo a leitura do artigo “Você está sendo roubado!“, onde também escrevi sobre este mesmo assunto.
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Rafael Seabra
Rafael Seabra é educador financeiro, pós-graduado em Finanças pelo Ibmec, editor do Quero Ficar Rico, um dos sites de maior audiência do país na área de Educação Financeira, e autor do livro Como Investir Dinheiro.
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