Por que não investir em fundos de investimento

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Por que não investir em fundos de investimentoO título do artigo pode parecer polêmico (e é!), mas o intuito é chamar a atenção, assim como foi feito nos artigos “Por que não investir na Vale e na Petrobras” e “Vale a pena seguir a carteira recomendada das corretoras?“, pois muitas vezes não analisamos detalhes muito importantes e seguimos cegamente a recomendação/sugestão alheia.

Investir em fundos de investimento é um ótimo meio de começar a interagir com o mercado (tanto de ações quanto de títulos públicos), mas é fundamental observar as taxas cobradas pelos gestores dos fundos. Quanto menor o risco do fundo (renda fixa), menor deveria ser a taxa de administração cobrada, por exemplo. E quanto mais arriscado o fundo (renda variável), mais os ganhos do gestor deveriam estar atrelados à performance do fundo.

O objetivo deste artigo é abordar a relação entre as taxas cobradas pelos fundos de investimento e o risco/retorno de cada um deles, dando ênfase ao que seriam taxas razoáveis para alguns tipos de fundos.

Fundos de investimento em renda fixa

Os fundos que investem em ativos de renda fixa via de regra são de baixo risco. Por serem de baixo risco e não apresentarem rendimentos voláteis (boa parte dos fundos de renda fixa tem rentabilidades parecidas), não há muito o que se falar em taxa de performance para esses fundos.

Além disso, como o investimento em títulos públicos está cada vez mais em destaque, acessível ao público e com baixas taxas, também não deveria ser justo a cobrança de taxas de administração superiores a 1% ao ano. A combinação “baixo risco + títulos acessíveis + baixo custo de investimento” não dá margem a taxas acima desse limite.

Entretanto vemos – inadmissivelmente – fundos que cobram taxas acima de 3% ao ano! Não faz sentido algum investir em fundos assim. Basta observar a taxa de administração dos fundos de renda fixa dos bancos onde o investimento inicial é baixo (até R$ 1.000,00) que verá alguns exemplos.

A grande vantagem desses fundos é a liquidez (possibilidade de resgate quase que imediato) e a comodidade (não precisar se preocupar em comprar e vender títulos). E é por isso que os gestores devem cobrar taxas de administração, contanto que sejam razoáveis.

Fundos de investimento multimercados

Esses fundos possuem riscos maiores, portanto há uma necessidade maior de gestão sobre eles. Por ter risco maior, é esperado que o retorno também seja maior. Para tanto, o gestor do fundo deve ser remunerado caso ele alcance (ou até mesmo supere) seus objetivos. É aí onde entra a taxa de performance.

Mesmo com algumas limitações (fundos multimercados só podem ter até 49% do patrimônio em renda variável, exceto em casos que o regulamento deixe explícito o contrário), é possível ter rentabilidades bem acima de fundos de renda fixa e até com alguma diferença dos demais fundos multimercados. Isso significa que a habilidade do gestor em escolher os ativos pode determinar o êxito (ou fracasso) no resultado. Assim faz sentido existir uma taxa de performance combinada com a taxa de administração.

Entretanto o benchmark (índice para comparar a rentabilidade) deve ser relacionado com renda fixa, já que o maior percentual do fundo está nesses ativos. Assim, o que superar um índice razoável para renda fixa (inflação + 7%, por exemplo) deve ser recompensado.

Taxas razoáveis para esses fundos, na minha opinião, seriam administração até 1,5% a.a. e performance até 20% sobre o que superar a inflação + 7% a.a..

Fundos de investimento em ações

Os fundos que investem em ações, sobretudo os livres, possuem risco muito alto. Por isso, a rentabilidade esperada deve ser ainda maior e o desempenho está diretamente relacionado à capacidade dos gestores. Administrar esses fundos é muito mais complexo e um bom desempenho merece ser recompensado.

No entanto, muitos fundos de ações cobram taxas de administração altíssimas (até 4% ao ano) e não possuem desempenho muito diferente do Ibovespa (principal benchmark para esses fundos), por exemplo. É isso que deve ser evitado. Para conseguir um desempenho similar ao Ibovespa, é muito melhor investir num fundo ETF que acompanhe o índice e pagar apenas 0,69% a.a. como taxa de administração.

Na minha opinião, a taxa de administração não pode ser alta, mas a taxa de performance, sim. Acho razoável taxa de administração até 2% ao ano e taxa de performance de 25% sobre o que superar o Ibovespa (com compensação em períodos negativos).

Assim você só paga muito ao fundo se o desempenho for muito acima do Ibovespa. E isso é justo. O que não é justo é pagar taxa de administração alta, mesmo sem desempenho diferenciado.

Conclusão

A taxa de administração deve ser proporcional à complexidade em administrar o fundo, mas não deve ser abusiva. A taxa de performance é muito justa quando utilizada sobre o benchmark coerente.

Se um fundo multimercado ou de ações não cobra taxa de performance, mas cobra taxa de administração muito alta, desconfie. É muito provável que ele não acredite no próprio desempenho e queira ganhar sem risco. Afinal a taxa de administração é retirada mesmo que o desempenho do fundo seja negativo!

Por fim, gosto sempre de recomendar os artigos “Monte seu fundo referenciado DI através do Tesouro Direto” e “5 premissas para montar sua própria carteira de ações“, pois com alguma dedicação é possível montar uma ótima carteira e até copiar fundos de sucesso com poucos cliques.

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  • Luiz Marcelo

    Perfeito. Uma síntese fácil de compreender.

    Aliás… como anda a liquidez das ETFs BOVA11 e PIBB11 ?

    Ainda referente ao BOVA11 e PIBB11, existem dificuldades em negocia-las no fracionário?

    Obrigado

    • http://twitter.com/SeabraRafael Rafael Seabra

      Obrigado, Luiz.

      Para saber mais sobre o BOVA11 e PIBB11, dê uma olhada nos links abaixo:

      BOVA11

      PIBB11

      Abraço!

    • Carlos

      Luiz,

      Os ETF’s vendem lotes pequenos (10 cotas), por exemplo com R$190 vc compra um lote do ETF Imobiliário, porr R$320 vc compra um lote do Consumo, por R$650 vc compra um lote do SMALCAPS.
      A negociação na fracionario é muito ruim, liquidez baixa. Mas em lotes a liqueidez é melhor.
      Não recomendo comprar o PIBB nem o BOVA11, tem andado mal.
      Os melhores são SMAL11 e CSMO11.

      Dê uma lida nesse link:

      http://br.ishares.com/get_started/index.htm

      Abraço,
      Carlos

    • http://twitter.com/SeabraRafael Rafael Seabra

      O artigo “O que é um fundo de índice (ETF)?” explica o que são fundos ETF e mostra as principais opções disponíveis para negociação.

      Abraço!

  • Ricardo Loureiro

    Onde posso investir e quando o minimo? Send portugues posso investir?

    Abraço

    • http://twitter.com/SeabraRafael Rafael Seabra

      Até onde sei, apenas residentes no Brasil podem investir como pessoa física em fundos.

      Abraço!

  • http://www.blogdoinvestidor.com.br Ulisses Nehmi

    Rafael,

    Apesar de colocar adequadamente alguns pontos (como o absurdo que são as taxas de administração de fundos de renda fixa de grandes bancos) e balizar os leitores com relação a valores de taxas cobradas pelos fundos, tenho que fazer algumas ponderações sobre o seu artigo:

    1. O investidor realmente tem tempo para se dedicar aos seus investimentos? Tem investidor que gasta horas do seu dia “fazendo a gestão” da sua carteira, e não me parece razoável. Os fundos de investimento são uma ótima opção: o investidor investe um pouco de tempo selecionando o fundo, e depois não tem que ficar perdendo horas com isso… O que o investidor precisa saber é que não são apenas os bancos que tem fundos de investimento.

    2. Fundos de Renda Fixa: é consenso que as taxas de administração cobradas pelos grandes bancos nesse tipo de fundo são um absurdo, MAS existem fundos abertos, com aplicação inicial baixa e taxas de administração que são mais viáveis inclusive que aplicação no Tesouro Direto….

    3. Fundos Multimercado: nesse tipo de fundo a taxa de administração tem que refletir a qualidade do serviço prestado. Lembre-se, no entanto, que ela não pode inviabilizar o retorno do investidor: não adianta pagar taxa baixa e receber uma gestão de baixa qualidade…
    Lógico que é pessoal, mas no mundo inteiro pratica-se taxas de administração entre 1,5% e 2,0%, e aqui no Brasil não é diferente.
    Além disso, uma correção: a menos que o regulamento do fundo limite explicitamente, fundos multimercado podem investir mais que 49% em ações sim.
    E finalmente, utilizar como benchmark uma taxa de juro real de 7% (inflação+7%) me parece um pouco exagerado, mas tudo depende de cada gestor, e isso só seria possível em fundos exclusivamente para investidores qualificados.

    4. Fundos de ações: a compensação em período negativos é para a taxa de performance, e não para a taxa de administração, certo?

    Abs

    • http://twitter.com/SeabraRafael Rafael Seabra

      Excelentes considerações, Ulisses. Permita-me comentá-las:

      1) Fiz essa consideração quando afirmei que os fundos oferecem liquidez e comodidade como vantagens. Mesmo assim, se o investidor optar por montar sua própria carteira, não vejo mal algum nisso.

      2) É verdade, mas aí entra outro fator que pesa para o investidor: credibilidade desses fundos. Muitos preferem investir em grandes bancos e corretoras por conta desse ponto. Quanto a fundos mais viáveis que o Tesouro Direto, confesso que fiquei curioso. Você poderia citar alguns para que possamos dar uma olhada?

      3) Até onde eu sabia, fundos multimercados só podiam investir até 49% do patrimônio em ações. Obrigado pela correção. Quanto ao benchmark, a partir do momento que a NTN-B oferece 6,74% + IPCA, um fundo desse tipo só poderia cobrar performance se obtivesse algo acima disso.

      4) Perfeito! Você está certíssimo. Troquei as bolas quando escrevi. Corrigido.

      Muito obrigado pela participação! Suas considerações foram muito valiosas.

      Abraço!

      • http://www.blogdoinvestidor.com.br Ulisses Nehmi

        No Tesouro Direto, além do 0,3%aa de taxa da CBLC, o custo médio por operação é de 0,1% (spread), ainda tem a taxa da corretora (que varia de 0 a 1,0%aa), a liquidez é semanal, o investidor tem que fazer a gestão (decidir o título, escolher o vencimento, reinvestir os cupons, reaplicar os recursos quando o título vence), etc. Assim, comparado com as tradicionais aplicações dos bancos, o TD é sim atrativo, pois a diferença é MUITO grande, mas hoje em dia já existem fundos com características mais interessantes.
        Para quem busca investir uma parte dos seus recursos em títulos protegidos pela inflação (IPCA), o TD tem uma opção que é imbatível, que são os papéis NTN-B Principal. Logicamente, são aplicações de longuíssimo prazo – ninguém precisa aplicar em títulos protegidos da inflação em aplicações com menos de 3-5 anos de horizonte de investimento.
        Pesquisei bastante a respeito nos últimos meses pois na empresa na qual trabalho queríamos criar um fundo de renda fixa que tivesse características mais interessantes que as opções disponíveis no mercado. Assim, criamos o fundo de investimento Sparta Premium Renda Fixa, que tem taxa de administração de apenas 0,4%aa, aplicação inicial a partir de R$ 1.000, aplicações adicionais a partir de R$ 100 e liquidez diária. Ele completará 6 meses no dia 30/06/2011. Mais informações no site http://www.sparta.com.br.
        Quanto à credibilidade nos fundos de renda fixa, é uma discussão longa e técnica. Resumindo, o fundo é independente do banco (se um quebra, não tem nada a ver com o outro), e o fundo do banco, ao contrário do senso comum, tende a ser MENOS seguro que um fundo de um gestor independente, pois o fundo de banco não tem uma estrutura de governança/transparência tão clara, além de poder comprar títulos do próprio banco.
        Finalmente, com relação aos fundos multimercado, a regulamentação dá bastante liberdade para o gestor trabalhar, e por isso que nesse tipo de fundo é ainda mais importante que o investidor analise o que a política de investimento de cada fundo permite fazer. Para investir em produtos mais sofisticados, o investidor deveria consultar mais detalhes sobre o produto, mas creio que no Brasil isso ainda não seja um costume.
        Abs

        • http://twitter.com/SeabraRafael Rafael Seabra

          Realmente a taxa do Sparta Premium é excelente, mas me explica uma coisa: se o fundo investe mais de 80% em títulos públicos, ele também não tem que pagar a taxa da CBLC e custo de operação?

          Em caso positivo, esse custo é abatido do patrimônio do fundo e, na verdade, o investidor paga as mesmas taxas do TD mais 0,4% a.a. ao administrador. Fora que, como o fundo pode aplicar em cotas dele mesmo, a taxa de administração pode chegar a até 0,48% a.a.

          Em caso negativo, aí sim passa a ser bastante atrativo.

          De qualquer forma, o fundo também investe em debêntures (aproximadamente 18% do PL), o que aumenta o risco e consequentemente a expectativa de retorno. Isso sem falar no investimento em derivativos, que aumenta ainda mais o risco, a não ser que o intuito seja hedge.

          Como falei no começo, é um belíssimo fundo, mas os riscos e os custos precisam ficar mais explícitos.

          Quando ele completar 6 meses e essas informações estiverem no site da Sparta, os interessados poderão analisá-las com atenção.

          Abração e valeu pela participação!

          • http://www.blogdoinvestidor.com.br Ulisses Nehmi

            Rafael,

            Vc levantou ótimos pontos, mas todos deixam clara a diferença entre uma gestão profissional de investimentos e o fazer por você mesmo. O investidor tem muito mais a ganhar pra ele se contratar um profissional competente. E lembre-se do princípio básico da existência de um fundo: ele é um condomínio (como nos prédios), e é na essência uma maneira de ter resultados melhores e mais profissionais.

            Boa parte da diferença são os ganhos de escala com os custos. O fundo não utiliza a CBLC, a operação é liquidada na SELIC e custodiada num banco (Bradesco), a taxas MUITO mais competitivas. Além disso, nesse fundo especificamente, todos os custos estão embutidos no 0,4% de taxa de administração (por isso é interessante ler o regulamento do fundo).

            Se o fundo tem apenas 0,4% de taxa de administração, significa que ele precisa tomar pouquíssimo risco para atingir o objetivo dele, que é 100% do CDI. O que vemos nos fundos de bancos é que eles tomam mais risco, pois tem custos muito maiores e mesmo assim dão um retorno pior. Ao invés de se preocupar com o comecotas ou não, que pra esse níveis de retorno não fazem diferença significativa (como falei, com Selic a 12%, ter ou não o comecotas impacta menos de 0,04%aa, é só fazer a conta), o investidor avaliar essas questões.

            Um fundo não pode aplicar em cotas dele mesmo (por uma questão até matemática!). A taxa de administração máxima é particularmente importante no caso de fundos de fundos. O gestor, melhor que ninguém, sabe que quanto mais taxa ele pagar, menos rentabilidade ele entrega ao seu investidor, e menos rentabilidade = menos cliente.

            Os derivativos são ferramentas poderosas para proteção e realocação de risco, se utilizadas por profissionais. Na mão de amadores, normalmente são associados a fichas de cassino (como infelizmente muita gente faz com as opções na Bovespa).

            Finalmente, existem debêntures e debêntures, assim como existem CDB’s e CDB’s, e toda uma análise e acompanhamento de risco profissionalizada. No caso desse fundo, as pouquíssimas debêntures de baixo risco que tem no fundo fazem com que o resultado dele chegue na meta. Quando o fundo completar 6 meses e os resultados puderem ser mostrados, será possível ver a diferença.

            Falando como um profissional experiente da indústria de fundos, afirmo: a pergunta MAIS IMPORTANTE a ser feita a um gestor é o que ele faz com o dinheiro dele. Ele investe o dinheiro dele e da família dele no próprio fundo que gere?

            Vc já perguntou pro gerente do seu banco o que ele faz com o dinheiro dele? Vc já perguntou pro gestor de um fundo de banco se ele aplica o dinheiro dele nos fundos que gere? Eu já.

            Abs

  • http://www.aiprock1.blogspot.com Rosana

    Rafael

    Parabéns pelo artigo pois é um alerta para muitas pessoas que não perceberam ainda a alta taxa que é paga nos títulos.
    Eu acho absurdo a taxa de administrão ser sobre o valor investido e não sobre o lucro bruto. Depois que fiquei sabendo que é assim que funciona, tirei tudo o que tinha em fundos de renda fixa e de ações. Prefiro me programar melhor e usar o Tesouro Direto e deixar um pouco no cdb e poupança para alguma emergência.
    Abraços e sucesso,

    • http://twitter.com/SeabraRafael Rafael Seabra

      Obrigado, Rosana. Muita gente não tem a menor ideia do impacto das taxas sobre o montante investido. Alguns fundos (principalmente de grandes bancos) tem rentabilidades baixíssimas, justamente por conta da taxa de administração.

      Abraço e valeu pela participação!

  • Tiago Carvalho

    Esse é o grande Rafael Seabra, sempre com suas observações pertinentes. Ia dar minha opinião, mas Ulisses já o fez em alguns pontos.
    Não quero chover no molhado.

    Só acrescento uma coisa: a tributação diferenciada nos fundos de renda fixa, conhecida como come-cotas, que corrói e muito o patrimônio do investidor, independente do montate. Pois ninguem merece pagar juros de 6 em 6 meses, ao invés de ver seu rico dinheiro acumular mais um pouco no glorioso juros compostos, que, segundo Einstein é a maior invenção da humanidade.
    Parabéns pelo post.

    • http://www.blogdoinvestidor.com.br Ulisses Nehmi

      Tiago,
      Não sei o que odeiam mais: se pagar impostos automaticamente (comecotas) ou manualmente (CDB e Tesouro Direto). Concordo que a sensação é péssima, mas se vc fizer as contas numa planilha, verá que nas condições de juros de hoje a diferença é absolutamente desprezível. Se vc achar um fundo que rende 0,04% a mais que um título, já compensou a diferença de ter ou não o comecotas. A diferença seria mais relevante para rendimentos MUITO maiores. Viva os juros compostos!!!
      Abs

      • Tiago Carvalho

        Ulisses, pagando o imposto de renda a cada 6 meses, esse valor não será acrescido no período seguinte. As simulações que já fiz foram na calculadora do Tesouro Direto, e mudando apenas o tipo de título ( NTNB-Principal e NTNB ), sempre apresentava diferenças de rentabilidade, sendo o NTNB menor.
        Mas claro que é mais cômodo investir em fundos, pois a necessidade de estudo e dedicação é bem menor. E o preço dela é a taxa de adm.

        • http://www.blogdoinvestidor.com.br Ulisses Nehmi

          Caros,

          Permitam-me explicar melhor para evitar mal entendidos.

          Primeiro, o imposto de renda é pago de qualquer jeito. No fundo, o regime é de comecotas. No CDB, o banco retém o imposto do mesmo jeito. No TD, o agente de custódia retém o imposto. Ou seja, de um jeito ou de outro, o imposto será pago. Não pensem que se tiver comecotas vc paga imposto, e se não tiver comecotas vc não paga!

          Aqui também é necessário fazer mais uma suposição: de que a alíquota de ambos os casos será de 15%, tanto no comecotas, quanto na outra aplicação de renda fixa, ou seja, o título necessariamente tem que ser de mais de 2 anos ou mais, e o investidor deve segurar esse investimento por NO MÍNIMO 2 anos. Caso contrário, o comecotas já é automaticamente mais interessante, desde que o investidor escolha um fundo que tem tributação de longo prazo (e o regime de tributação tem pouco a ver com o perfil de retorno do fundo, cuidado para não se confundir: tem fundo DI que é de longo prazo!).

          Supondo que pagaremos imposto no comecotas ou no regime de retenção de imposto na fonte ao final da operação (lembre-se: vc não tem a opção de não pagar!), o comecotas não é tão mais pior. Se tivermos duas aplicações, uma que rende 10,00% ao ano, mas com imposto só no final, e outro que tem comecotas, mas rende 10,10% ao ano, considerando o prazo de 2 anos, o resultado líquido final em ambos os casos é O MESMO. Se o investidor desistir antes desse prazo, a aplicação com comecotas é mais interessante.

          Se duas aplicações tiverem exatamente o mesmo retorno, o regime de imposto apenas no final é mais interessante, lógico. E quanto maior o prazo ou maior o nível de rendimento, mais interessante é deixar o imposto apenas para o fim, e de fato o comecotas se torna mais oneroso, como já foi bem colocado pelo Rafael.

          Se os fundos de ações tivesse comecotas, ai sim essa opção seria mais onerosa. E justamente por isso, os fundos multimercado mais agressivos optam pelo regime de tributação que não tem comecotas (ex.: fundo Opportunity Midi).

          Em suma, é mais importante focar nos grandes números (ex.: migrar investimentos da poupança/fundos com taxa de administração alta para fundos de renda fixa com bom resultado e taxa de administração mais razoável, ou ainda deixar de pagar 0,3%aa de custódia + taxas no TD e buscar um fundo com retorno mais próximo do CDI) do que se preocupar com posições ideológicas e inflexíveis como “comecotas é ruim, então não aplico em nada com comecotas”.

          Finalmente, uma mensagem ao Helio: não quero enganar ninguém, e quem me conhece sabe muito bem disso. Espero ter esclarecido as dúvidas de quem quisesse acompanhar saudavelmente a discussão.

          Abs

        • http://www.blogdoinvestidor.com.br Ulisses Nehmi

          E um complemento ao Tiago: a grande diferença entre a NTN-B e a NTN-B Principal são os cupons! Por isso comentei em outra resposta que o NTN-B Principal do TD é imbatível, excelente opção para investimento de longo prazo indexado a inflação!

          Com relação à taxa de administração, tente essa abordagem: não se preocupe com o quanto o profissional está ganhando pelo seu serviço, mas analise sim se o resultado que ele entrega faz o produto valer a pena.

          Abs

      • Helio

        Ulisses

        Você está equivocado. Quem disse que com Selic a 12% a.a. o come-cotas impacta menos de 0,04% na rent.?? Tá louco?

        Não queira enganar os leitores do blog com mentiras. Só porque trabalha em fundo acha que consegue enganar alguém. Aprenda a fazer as contas antes de falar uma besteiras dessas.

        Rafael parabéns pelo artigo.!!

    • http://twitter.com/SeabraRafael Rafael Seabra

      Dependendo do prazo do título e da disponibilidade do investidor em permanecer com o título até o vencimento, a diferença não é, de forma alguma, desprezível.

      Quando o prazo é mais curto, a diferença passa a ser menor, mas ainda assim relevante, na minha opinião.

      Muito bem lembrado o come-cotas, Tiago.

      Abração e valeu pela participação!

  • José Augusto – Manaus – AM

    Caro Rafael…….Ainda hoje invisto no Geração Futuro, cujo produto (Geração Programado FIA) cobra taxa de Administração de 4% a.a mas não cobra taxa de performance. Voces acham que o Gera Futuro é um desses fundos “…que não acredita no próprio desempenho e queira ganhar sem risco..” ??

    Abraços

    • http://twitter.com/SeabraRafael Rafael Seabra

      Prefiro dizer que a taxa de administração do fundo é totalmente inadequada para a rentabilidade que apresenta comparada a outras opções do mercado.

      A Geração Futuro, corretora que admiro bastante, tem um fundo até melhor (GF Dividendos) e com taxa menor (3% a.a.), apesar de ainda achar alta. Seria melhor se tivesse taxa de performance e que a taxa de administração não fosse superior a 2% a.a..

      Abraço e valeu pela participação!

  • Fabio de Melo

    Muito bom o bate bola! valeu

  • Breno

    Rafael, me parece que vc precisa estudar um pouco sobre os fundos de investimento.

    Não há taxa CBLC, mas sim SELIC, CETIP, taxas trimestrais CVM, etc.

    No mais, multimercados existem diversos com os mais diferentes níveis de risco. Tanto para Multimercados como para Ações, o padrão de mercado (bons gestores independentes) é 2% de adm + 20% de performance.

    Para multimercados em geral, o benchmark é CDI. Enquanto para os de ações varia entre IBX/IBOV e IPCA/IGPM + taxa (geralmente 6%), depende da estrategia do gestor. Se ele possuir um baixo beta com os indices e tiver um portfolio pouco correlacionado com a bolsa, em geral escolher indice de preços + taxa.

    Vale lembrar aspectos tributários, Multmercados com come-cotas semestral e alíquota regressiva de 22,5 a 15%, enquanto FIAs 15% de IR apenas no vencimento.

    Adicionalmente, multimercados não possuem limites para valor em ações. Vc pode ter confundido com fundos previdenciarios, que por lei só podem ter 49% em açoes. Inclusive, o mercado está cheio de fundos multimercados “long short”, cujo portfolio possui apenas ações.

    Abraços

    • http://twitter.com/SeabraRafael Rafael Seabra

      Realmente não sabia sobre as taxas cobradas aos fundos, mas o Ulisses já havia esclarecido que era diferente de pessoa física num comentário acima.

      2% a.a. de administração + 20% de performance me parece bem razoável. Está de acordo com os valores que delimitei.

      Em relação ao benchmark para multimercados, assumo que deva ser um valor fácil de conseguir no mercado. Tanto o CDI (LFT) quanto 6% + Inflação (NTN-B Principal) são bons parâmetros.

      Por fim, o Ulisses também explicou que não há impedimento em fundos multimercados investirem mais que 49% em ações, contanto que isso esteja esclarecido no prospecto.

      Abraço e valeu pela participação!

  • Fabiana Siqueira

    Os fundos DI tem taxas altissimas. Procurei outras opções e vi a propaganda do sofisadireto.com.br.
    Alguem pode comentar?
    Oferecem CDB com 100% do CDI sem taxas, a partir de 1 real.

    • http://twitter.com/SeabraRafael Rafael Seabra

      Dá uma lida nos comentários do artigo “O que é CDB?“. A discussão sobre o Sofisa está ótima por lá.

      Abraço!

  • http://c-santos.blog.com Carlos

    Rafael,

    Para comprar ouro papel, consigo visualizar pelo homebroker através de algum “ticker”?

    Só soube através de uma corretora que fica em Israel e vc pode comprar via cartão de crédito para emitir ordens.

    Não há papel ouro negociado na Bovespa?

    Seria interesante um posto sobre como investir em ouro e prata no Brasil, visto que muitos comentam que esse vale a pena (Kyiosaki).

    Abraços,Carlos

  • fred

    Verifiquei um invesrtimento no BB de fundo de reda fixa que cobra 4% de taxa administrativa e renda carca de 60% do CDI. Pelo que li, então, esse realemente não é bom negócio

    • http://www.blogdoinvestidor.com.br Ulisses Nehmi

      Se ele não rende nem a poupança, por que alguém investiria nele? Os bancos que fazem isso exploram a falta de conhecimento/instrução das pessoas…
      Abs

    • http://twitter.com/SeabraRafael Rafael Seabra

      Você está correto, Fred. Realmente é um péssimo negócio. Na verdade, um “investimento” como esse deveria ser considerado abusivo, pois explora a ignorância dos correntistas, além de ser um atentado contra o patrimônio de quem investe nisso.

      Fique à vontade para divulgar o nome do fundo que todos não devem investir.

      Abraço e valeu pela participação!

  • Fred

    O nome do assalto é: BB Renda Fixa LP 100. Talvez revestido por um grande nome de Banco e tendo atrativos como prêmios, o Banco cobra essas taxas exorbitantes. Tenho um plano de previdência muito antigo do BB (é da minha mulher, na verdade) que cobrava taxa de carregamento de 9%. Eu renegociei, conseguindo um fundo melhor no longo prazo (investindo em ações) e com taxa de cerca de 2% transformando em PGBL.

  • Marcos

    Rafael,
    desculpe a pergunta super básica, mas como posso saber quanto uma ação rendeu/valorizou no último ano?
    Ao entrar no Yahoo Finanças, por exemplo e pedir o último ano da ação PETR4 (http://br.finance.yahoo.com/q/bc?s=PETR4.SA&t=1y&l=on&z=l&q=l&c=), ele mostra o gráfico e vários indicadores, mas não mostra algo como +12% ou -5% para o período.
    Em suma, como faço para descobrir efetivamente quanto um papel valorizou/desvalorizou em um determinado período.
    Muito obrigado e um abraço.
    Marcos

  • Maric01

    Rafael,

    Estou querendo fazer um investimento que tenha bom rendimento a curto prazo, mas em que eu possa investir uma quantia pequena (1.500,00). O que você sugere no meu caso? Sou totalmente leiga e, por causa disso, tenho receio de acabar fazendo bobagem. Pensei em fundos de ações. O q vc acha?
    Obrigada.

  • Jacson luís

    Olá Rafael.
    Aplico diretamente em bolsa de valores há mais de três anos, hoje possuo cerca de R$25.000,00 aplicados em ações da petr3 e 4, usim3, elet3, itub4, vale3 e cmig4. Em algumas obtive bons lucros em outras amarguei perdas.
    Gostaria de saber se devo retirar esse dinheiro e aplicar em fundos de ações, já que não tenho muito tempo para acompanhar o mercado, ou se continuo aplicando diretamente na bolsa pelo Home Broker?
    Obrigado.
    JACSON

    • http://www.queroficarrico.com.br Rafael Seabra

      Jacson,

      Considerando pessoas que não tenham tempo para acompanhar o mercado, acredito que a melhor estratégia para investir em ações é a alocação de ativos.

      Para saber mais, leia este artigo: “O que é alocação de ativos?

      Abraço!

  • Ricardo

    Rafael, duas perguntas:
    1. E os títulos indexados à inflação? Às vezes eles têm um bom rendimento. São recomendáveis para deixar uma reserva de emergência?
    2. Hoje tenho a reserva de emergência em um CDB que paga 94% do CDI. Seria recomendável sair e ir para um fundo de inflação? Ou há uma outra alternativa melhor? Pago IR ao migrar o investimento ou só ao sacar o dinheiro?

    Obrigado
    Ricardo