POR QUE O DÓLAR SOBE E O QUE FAZER AGORA?
Publicado em 10.10.2008 por Rafael Seabra em Câmbio, Economia
Além da queda das bolsas causada pela crise financeira [entenda AQUI], outro fato que tem deixado muita gente preocupada é a alta do dólar nos últimos dias. Vejamos alguns números: desde 01/08, o dólar subiu 53,4% até quarta-feira passada (08). O dia 1º de agosto foi aquele em que o dólar atingiu seu valor mais baixo (R$ 1,5593) desde 1999. Ontem (09) o dólar caiu 3,97%, fechando em R$ 2,203, porque o Banco Central fez, mais uma vez, leilão de dólares [depois de 5 anos] para segurar o valor da moeda americana. Leiloar dólar à vista, vendendo uma parte nossa reserva, serve para colocar [ofertar] dólar no mercado e, como manda a lei da oferta e da procura, baixa a cotação. Com mais dólares no mercado, o BC espera que a cotação da moeda caia. Mas, depois de ver todos esses números, fica a pergunta: por que o dólar sobe?
Para respondê-la, li alguns especialistas, entre eles Miriam Leitão, d’O Globo e uma materia do Portal Exame, com o consultor Gustavo Cerbasi. A alta da moeda americana é alimentada por três fatores. O primeiro é a falta de crédito internacional. Como vimos no artigo sobre a crise financeira, as instituições financeiras internacionais enfrentam problemas, e o dinheiro injetado pelos governos foi muito mais para salvar essas instituições do que para circular na economia. Com isso, está mais difícil para as empresas obter moeda americana para financiar seus projetos, pois os bancos estão mais resistentes a emprestar.
O segundo fator seria a fuga dos investidores em direção aos títulos do Tesouro americano [Treasures], considerados um porto seguro em meio à tempestade. Para comprá-los, é necessário pagar em dólar – o que eleva a demanda pela moeda e, por tabela, seu preço.
O terceiro [e mais diretamente ligado ao mercado brasileiro] fator é muito mais um impulsionador do que causador da alta do dólar, mas afeta fortemente o Brasil: as empresas armaram estratégias para lucrar com a queda do dólar, através de derivativos. Com a disparada do câmbio, precisaram desmontar essas estratégias e isso elevou a pressão para comprar moeda americana, o que só impulsionou o câmbio. Dois exemplos desse equívoco foram a Sadia e a Aracruz, com perdas de R$ 760 mi e R$ 1,95 bi respectivamente. Apesar da Aracruz não ter perdido de fato esse montante, a operação custou à empresa a perda do grau de investimento dado pela agência de classificação Fitch Ratings.
Especula-se que o dólar deva voltar a valores entre R$ 1,80 e R$ 2,00 até o final do ano, mas certamente não voltará ao patamar de R$ 1,60 como em agosto.
Entendido os principais motivos da alta do dólar, vem então a segunda pergunta para quem contava com dólares para o curto e médio prazo: o que fazer agora? Dividirei a resposta em quatro cenários.
Para quem vai comprar produtos importados ou bens cotados em dólar, é melhor fazê-lo logo. Por enquanto, os produtos em estoque no Brasil foram trazidos com um câmbio mais atraentes. Mas, à medida que os importadores necessitarem repor as mercadorias, o câmbio começará a pesar.
Para quem vai viajar agora para o exterior, a primeira coisa é saber quanto tempo resta até sua viagem. Se ela está próxima, compre já suas passagens e parcele. A compra garante a conversão das tarifas para reais, eliminando o risco cambial – ou seja, a incerteza sobre a futura alta ou queda da moeda americana. A pessoa pode até pagar um pouco mais agora pela passagem, mas é melhor assumir o preço atual e evitar a volatilidade do câmbio.
Para quem tem mais tempo para planejar a viagem, a melhor opção é aplicar os recursos que acumulou para a viagem em um fundo cambial sem alavancagem. Sim, é verdade: essa aplicação passou a maior parte do ano apanhando feio de outros fundos. Mas, nesse caso, o objetivo não é lucrar com o dólar, mas fazer com que seus recursos acompanhem a flutuação do câmbio, a fim de protegê-lo. Não se iluda: se você estiver ganhando dinheiro no fundo, é sinal de que o dólar está subindo e sua viagem tornou-se mais cara. Por outro lado, se você vir o montante aplicado diminuir, não se desespere: o dólar também estará em queda e sua viagem ficará mais barata. No fim, a perda do fundo é compensada pelo barateamento do passeio e vice-versa.
Por fim, para quem já fez dívidas em dólares, não há muito a fazer. O máximo a fazer é tentar antecipar o pagamento da fatura, se seu cartão de crédito permitir. É melhor assumir a perda e pagar logo, até porque o câmbio pode continuar a subir. Como diz o ditado: “por pior que uma situação esteja, ela pode piorar”.
Rafael Seabra
Educador Financeiro e consultor de Tecnologia da Informação, cursa o MBA em Finanças pelo Ibmec e é formado em Ciência da Computação pela UFPE. Autor do blog Quero Ficar Rico, ministra palestras e cursos de Educação Financeira.
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por que o governo americano, através do banco central não fabrica a quantidade de dolares que quiser, quando é para guerras ele sempre consegue!
por que o gov. americano não consegue fabricar a quantidade de dolares necessário para sair da crise!!
Também acho que o governo americano podia fazer quantos dolares quizasse para poder melhorar essa orrenda crise que estamos passando agora!
com esses dolares ele podia dar dinheiro aos bancos para que eles pagam as sua dividas, e depois de um tempo todos no EUA melhores sua situação, pouco a pouco, e depois ia acabar melhorando a todos em todos os paises que acabaram se prejudicando com essa sitação! e principalmente o brasil!
Edison, esta é uma solução muito simples, porém, inviavel! Emitir moeda aleatóriamente desencadeará um GRANDE PROBLEMA DE LIQUIDEZ.
Na verdade, acarretará em uma inflação descontrolada
Poderiamos ter artigos mais atualizados sobre o dólar!