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08
2008
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ENTENDA A CRISE FINANCEIRA

Publicado por Rafael Seabra na(s) Seção(ões) Ações, Economia |

Segunda-feira, 6 de outubro de 2008, foi um dia de pânico para os mercados financeiros em todo o mundo. A Bovespa suspendeu o pregão por duas vezes, através de um mecanismo de segurança chamado “circuit breaker“. Bolsas do mundo inteiro também sofreram grandes quedas. As bolsas de valores da Ásia e Europa viveram um dia de quedas abruptas. Na primeira sessão após a aprovação do pacote de resgate norte-americano, Tóquio perdeu 4,2% e Hong Kong, 3,4%. Quedas entre 7% e 9% ocorreram também em Londres, Paris e Frankfurt. Em Moscou, a bolsa despencou 19%. Em todos estes casos, as quedas foram puxadas pelo desabamento das ações de bancos importantes. Em São Paulo, os negócios foram interrompidos duas vezes, quando quedas drásticas acionaram as regras que mandam suspender os negócios em caso de instabilidade extrema. Apesar da intervenção do Banco Central, o dólar chegou a R$ 2,20.

A crise iniciada há pouco mais de um ano, no setor de empréstimos hipotecários dos Estados Unidos, teve dois fatos importantes nos últimos dias. Entre 15 e 16 de setembro, a falência de grandes instituições financeiras norte-americanas deixou claro que a devastação não iria ficar restrita ao setor imobiliário. Em 12/9, o banco de investimentos Lehman Brothers quebrou, depois que as autoridades monetárias recusaram-se a resgatá-lo. No mesmo dia, o Merrill Lynch anunciou sua venda para o Bank of America. Em 15/9, a mega-seguradora AIG (a maior do mundo, até há alguns meses) anunciou que estava insolvente, sendo nacionalizada no dia seguinte com aporte estatal de US$ 85 bilhões. No início de outubro, começou a disseminar-se a sensação de que o pacote de 700 bilhões de dólares montado pela Casa Branca para tentar o resgate produziria efeitos muito limitados. Como veremos a seguir, o pacote é um conjunto de medidas que socorre com dinheiro público as instituições financeiras mais afetadas, mas não assegura que os recursos irriguem a economia, muito menos protege as famílias endividadas.

A crise então passou para os mercados bancários onde, apavoradas com a onda de falências, as instituições financeiras bloquearam a concessão de empréstimos – inclusive entre si mesmas. A crise alastrou-se dos Estados Unidos para a Europa. Em dois dias, cinco importantes bancos do Velho Continente naufragaram. O Fortis foi semi-nacionalizado pelos governos da Holanda, Bélgica e Luxemburgo. O Dexia recebeu uma injeção de 6,4 bilhões de euros, patrocinada pelos governos da França e Bélgica. O Reino Unido nacionalizou o Bradford & Bingley (especialista em hipotecas), vendendo parte de seus ativos para o espanhol Santander. O Hypo Real Estate segundo maior banco hipotecário alemão entrou numa operação de resgate cujo custo podia chegar a 50 bilhões de euros, mas cujo sucesso ainda não estava assegurado, em 5/9. A Islândia nacionalizou o Glitnir, seu terceiro maior banco.

Muito rapidamente, o terremoto financeiro começou a atingir também a chamada “economia real”. Por falta de financiamento, as vendas de veículos nos EUA caíram 27% (comparadas com o ano anterior) em setembro, recuando para o nível mais baixo nos últimos 15 anos. Em 3 de outubro, a General Motors brasileira colocou em férias compulsórias os trabalhadores de duas de suas fábricas (que produzem para exportação), num sinal dos enormes riscos de contágio internacional. Diante do risco de recessão profunda, até os preços do petróleo cederam, caindo neste 6/10 a 90 dólares por barril – uma baixa de 10% em apenas uma semana.

Os primeiros sinais deste enorme desastre já estão visíveis. Em 2 de outubro, o Banco Central (BC) da Irlanda sentiu-se forçado a tranqüilizar o público, anunciando aumento no seguro estatal sobre 100% dos depósitos confiados a seis bancos. Na noite de domingo, foi a vez de o governo alemão tomar atitude semelhante. Essas medidas descoordenadas provocou uma reunião dos “quatro grandes” europeus (Alemanha, França, Reino Unido e Itália), convocada pelo presidente francês, para buscar ações comuns contra a crise. Teme-se, por isso, que as iniciativas da Irlanda e Alemanha provoquem pressão contra os bancos dos demais países europeus, onde não há a mesma garantia. Além disso, suspeita-se que as autoridades estejam passando um cheque sem fundos. Na Irlanda, o valor total do seguro oferecido pelo BC equivale a mais do dobro do PIB do país. Ou seja, essa garantia não está muito garantida…

A esta altura, todas as análises sérias coincidem em que não é possível prever nem a duração, nem a profundidade, nem as conseqüências da crise. Nos próximos meses, vai se abrir um período de fortes turbulências: econômicas, sociais e políticas. As montanhas de dinheiro despejadas pelos bancos centrais sepultaram, em poucas semanas, um dogma cultuado pelos teóricos neoliberais durante três décadas. Como argumentar, agora, que os mercados são capazes de se auto-regular, e que toda intervenção estatal sobre eles é contra-producente?

O pacote de 700 bilhões de dólares costurado pela Casa Branca é o exemplo mais adequado e recente desse contra-senso. Nouriel Roubini, professor de Economia e Negócios Internacionais, pela Universidade de Nova York, considerou-o não apenas “injusto”, mas também “ineficaz e ineficiente”. Injusto porque socializa prejuízos, oferecendo dinheiro às instituições financeiras (ao permitir que o Estado assuma seus “títulos podres”) sem assumir, em troca, parte de seu capital. Ineficaz porque, ao não oferecer ajuda às famílias endividadas — e ameaçadas de perder seus imóveis —, deixa intocada a causa do problema (o empobrecimento e perda de capacidade aquisitiva da população), atuando apenas sobre seus efeitos superficiais. Ineficiente porque nada assegura (como estão demonstrando os fatos dos últimos dias) que os bancos, recapitalizados em meio à crise, disponham-se a reabrir as torneiras de crédito que poderiam irrigar a economia.

A reflexão que fica disso tudo: será que os mercados são mesmo capazes de se auto-regular? Por que o mercado não divide os lucros com a sociedade mas a sociedade divide os prejuízos com o mercado? Não que eu queira levantar a bandeira do socialismo, mas não me parece justo os governos ajudarem as instituições financeiras sem assumir parte do seu capital. Ajude, mas seja recompensado por isso. Caso contrário, é dinheiro público apenas para salvar instituições privadas.

Quanto à capacidade de auto-regulação, eu não sou a favor que os governos ditem as regras da economia. Mas também não podem deixar o mercado a revelia. A ganância por lucros exorbitantes deve ser controlada. Financiamentos sem a capacidade de pagamento deveriam ser negados. Na ânsia por oferecer crédito, os bancos americanos ofereceram dinheiro a quem claramente não poderia pagar, para comprar seus imóveis, como ocorreu com as hipotecas subprimes. Acho um crime, por exemplo, a oferta de financiamentos de automóveis em 5, 6 e até 7 anos, iludindo a população, aplicando altos juros e com produtos que se desvalorizam muito, como carros.

Apesar disso tudo, continuo acreditando no mercado financeiro, no mercado brasileiro e, principalmente, na capacidade de aprendizagem com os erros ocorridos.

* Artigo baseado no texto de Antonio Martins, do Le Monde Diplomatique.

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Comentários #21

  • Muito boa a matéria. Dá um panorama geral do que está acontecendo fora do Brasil. Mas e no Brasil? O que o Banco Central brasileiro está planejando?

    Nada? O que está parecendo é que estamos preparados para a crise. Mas no fundo, as quedas das bolsas e o preço do dólar mostram outra realidade.

    Ouvi um comentário hoje no rádio que o BC tem uma reserva de alguns bilhões de dólares, mas que não planeja utilizar esse dinheiro. Alegam que segurar o câmbio não é uma proposta do BC. Ok! Mas, alguma medida tem que ser tomada internamente pelo BC!! Pelo menos para amenizar a crise, que está empresários e grandes corporações exportadoras.

    O que vocês acham? Quais medidas estão em discussão! Daria um ótimo artigo para o Quero Ficar Rico.

    Abraços e parabéns pelo blog!

    Comentário | 8 de outubro de 2008
  • André,

    O BC brasileiro não está tão atuante quanto os bancos centrais europeus e norte-americano porque as empresas de lá (notadamente o mercado bancário) estão realmente em maus lençóis.

    Não temos, por enquanto, grandes bancos prestes a quebrar, como ocorreu por lá. O que afeta, de fato, aqui é o que sempre afetou: quando as coisas vão mal por lá, o mercado financeiro brasileiro responde negativamente. Mas já foi bem pior.

    Quanto ao dólar, isso sim o BC pode interceder. E o fez. Dá uma conferida nessas notícias sobre o leilão de dólares: http://economia.uol.com.br/ultnot/2008/10/08/ult4294u1719.jhtm e http://economia.uol.com.br/ultnot/valor/2008/10/08/ult1913u96152.jhtm. Ele usou uma parte dos US$ 208 bilhões nesse leilão.

    E, na minha opinião, se o governo tivesse que injetar dinheiro na economia, que o fizesse como o governo britânico, comprando parte dos ativos das empresas necessitadas, fazendo uma “semi-nacionalização”. Mas nunca como o governo norte-americano fez, onde apenas comprou os títulos “podres” dos bancos. Assim eles só “doaram” dinheiro público para bancos, sem necessariamente injetá-lo na economia de fato.

    Agora um problema como o que ocorreu com a Sadia, por exemplo, onde ela “torrou” R$ 760 milhões com apostas equivocadas no mercado de derivativos, não deve ser coberto pelo governo. Isso foi uma irresponsabilidade da empresa.

    Comentário | 8 de outubro de 2008
  • É…

    Quando estava saindo para almoçar, vi a notícia dos leilões de dólares! Achei uma boa intervenção, mas que não tinha saído ainda no momento do meu comentário.

    Achei também o seu comentário bastante pertinente quanto ao modo como o BC deveria intervir (como o governo britânico).

    Na mesma matéria (sobre os leilões de dólares), falaram sobre outras medidas que estão sendo articuladas. Vamos esperar para ver se tem efeito positivo.

    Mas… acho que o governo estava meio errado quando disse que somente uma “marola” (metáfora de Lula) atingiria o Brasil. Não acho que o que está acontecendo seja uma “marola”.

    Comentário | 8 de outubro de 2008
  • Olá André,

    a política econômica do Governo Lula é orientada ao controle da inflação. Como você deve estar acompanhando também, nesses tempos da crise, a inflação está diminuindo aqui no Brasil. Dê uma olhada nesta matéria: http://jc.uol.com.br/2008/10/08/not_181717.php
    Por isso eles não estão muito temerosos com a “economia” do país.

    Mas o problema é que a inflação está caindo (e ainda vai cair mais) por um mau motivo: a queda na demanda internacional - ocasionada já pela falta de crédito lá fora. Traduzindo isso em miudos, quer dizer que vamos frear o crescimento do país… principalmente com a chegada da temida “recessão” nos EUA.

    Mas vamos ficar de olho nos passos do governo pois, de fato, não é só uma marola que está passando por aqui!

    Comentário | 8 de outubro de 2008
  • Chico

    Belo post, comentário enriquecedor de Rafael na resposta à pergunta.
    Hoje, percebo, com uma certa surpresa, que os Bancos nacionais encontram-se mais estruturados que os norte-americanos e europeus, esse raciocínio procede? Pergunto a Rafael.
    E pergunto ainda: seria correto o raciocínio de aproveitar a oferta de credito pensando que, muito brevemente, as portas do crédito estarão também fechadas no Brasil?
    Utilizar, por exemplo, o financiamento pelo Sistema Financeiro de Habitação para adquirir um imóvel agora é loucura ou uma atitude plausível (claro que com juros pré-fixados)?

    Comentário | 8 de outubro de 2008
  • André,

    Concordo contigo sobre o equívoco de Lula. Ele se precipitou. Ocorre que antes quando os Estados Unidos “espirrava”, nós já ficávamos “gripados”. E hoje, até pelo fortalecimento da nossa economia, isso já não acontece na mesma proporção. Por isso que nosso presidente deve ter falado isso. Porém, no momento em que a crise afeta, por exemplo, o crédito entre bancos, não tem como nós não sermos afetados. Por isso que já deixou de ser uma “marola”.

    Chico,

    Não sei se “mais estruturados” seria o termo adequado, pois isso depende de vários fatores. Mas poderíamos dizer que os bancos nacionais estão muito menos comprometidos com títulos “podres” ou investimentos equivocados como os bancos estrangeiros.

    Quanto à aproveitar o crédito, não sei se é um bom negócio. A não ser que você realmente precise. A restrição já chegou por aqui e o crédito já está mais caro. Simplesmente contratar um financiamento agora sem você estar precisando, é mais ou menos como comprar um produto qualquer só porque ele está em promoção ou porque você sabe que o preço dele vai cair, mesmo que você nem queira tanto aquele produto.

    Se você puder esperar, é bem provável que, num médio prazo, a situação deva melhorar.

    Comentário | 9 de outubro de 2008
  • [...] da queda das bolsas causada pela crise financeira [entenda AQUI], outro fato que tem deixado muita gente preocupada é a alta do dólar nos últimos dias. Vejamos [...]

    Pingback | 10 de outubro de 2008
  • Olha a “marola”:

    Entre as 100 empresas mais castigadas com a crise, 31 são brasileiras:

    http://portalexame.abril.com.br/ae/negocio/m0168557.html

    Comentário | 16 de outubro de 2008
  • [...] a onda de quebras de bancos estrangeiros, como vimos no artigo sobre a crise financeira, aliado à ajuda do Banco Central brasileiro aos bancos nacionais, muita gente deve estar se [...]

    Pingback | 29 de outubro de 2008
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  • Sobre a pergunta do autor do texto: “Por que o mercado não divide os lucros com a sociedade mas a sociedade divide os prejuízos com o mercado?”

    O mercado divide (sim) os lucros com a sociedade, ao contrário da suposição feita. Isso através de uma coisa chamada “Imposto”. Na verdade, em geral é assim: empresa tem lucro, governo cobra. Empresa não tem lucro, governo balança os ombros.

    “Não me parece justo os governos ajudarem as instituições financeiras sem assumir parte do seu capital.”

    Nem a mim parece. Será que é assim tão simples? O que o governo dos EUA está fazendo é comprar hipotecas lastreadas por propriedades cujos proprietários não têm bom risco de crédito. Se os proprietários não pagarem, a propriedade passa para o governo (que é o dono da hipoteca). Toda a questão não é se o dinheiro do tesouro americano foi/será usado para dar liquidez ao mercado hipotecário. Toda a questão é como esses ativos serão precificados. Mas ainda assim, não é “dinheiro grátis”. É compra de hipotecas (e, indiretamente, compra de propriedades imobiliárias). Sim, é uma estatização de capital privado.

    Comentário | 16 de fevereiro de 2009
  • jr

    Gostei ki so desse texto,mim ajudou bastante..valeu

    Comentário | 27 de fevereiro de 2009
  • a crise economica financeira e ruim existe solução vamos lutar por nossos direitos A reflexão que fica disso tudo: será que os mercados são mesmo capazes de se auto-regular? Por que o mercado não divide os lucros com a sociedade mas a sociedade divide os prejuízos com o mercado? Não que eu queira levantar a bandeira do socialismo, mas não me parece justo os governos ajudarem as instituições financeiras sem assumir parte do seu capital. Ajude, mas seja recompensado por isso. Caso contrário, é dinheiro público apenas para salvar instituições privadas.

    Comentário | 5 de março de 2009
  • tatinha

    excelênte matéria. Concordo tambem com seu comentério critico em relação ao papel do Estado e das instituições privadas, algo que ainda nao tinha pensado a respeito.

    Comentário | 10 de março de 2009
  • Essa crise é um lixo …!!!!

    Eu sou de Deus e Deus é quem me sustenta!!!!

    Por isso pra mim ñ existe crise financeira!!!

    Comentário | 29 de março de 2009
  • Bruno

    “A reflexão que fica disso tudo: será que os mercados são mesmo capazes de se auto-regular? Por que o mercado não divide os lucros com a sociedade mas a sociedade divide os prejuízos com o mercado? Não que eu queira levantar a bandeira do socialismo, mas não me parece justo os governos ajudarem as instituições financeiras sem assumir parte do seu capital. Ajude, mas seja recompensado por isso. Caso contrário, é dinheiro público apenas para salvar instituições privadas.”

    São nesses instituições privadas que milhões de pessoas trabalham recebem os seus salários e dão continuidade na economia do Pais. nesse caso governo está mantendo a empregabilidade, pode ser o meu, ou o seu emprego que dependa dessa intervenção!

    Comentário | 30 de março de 2009
  • Olá Bruno,

    Não questiono a ajuda, mas a forma como alguns países conduziram a “salvação” de algumas empresas e, sobretudo, instituições financeiras.

    Se eu ajudo uma empresa que enfrenta problemas financeiros (muitas por operações irresponsáveis), nada mais justo do que eu assumir uma parte do capital relativa àquele montante investido.

    Isso daria continuidade à economia do mesmo jeito, e ainda garantiria que o governo participaria das futuras decisões daquela empresa, pelo menos até que ela se reestabelecesse.

    Abraços e agradecemos pela sua participação :)

    Comentário | 30 de março de 2009
  • [...] para os “Jonas Brothers” e a Disney, o filme “The Spirit“, a Crise Financeira Internacional e o rapper Kanye [...]

    Pingback | 23 de abril de 2009
  • A editora Alfa-Omega lançou o primeiro livro a tratar da crise financeira global, escrito por João Carlos M. Ferraz - um espectador privilegiado do momento econômico devido ao alto posto que ocupa na Petrobrás. Trata-se do “Manual da Crise”. Veja: http://alfaomega.com.br/manualdacrise.php

    Comentário | 10 de maio de 2009
  • joel s.ribeiro

    a crise no brasil esta sendo tratada como a variola no começo do seculo,quando se derem conta do seu tamanho e custo social, sera tarde demais,em um pais como o nosso brasil ela ira se instalar em uma nação sem imunidade,o antidoto seria a educação com boa escola e não esmola como o governo faz com seus projetos sociais como bolsa esmola vale gas etc.

    Comentário | 11 de julho de 2009

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