Carro com juro zero é propaganda enganosa
Publicado em 04.10.2011 por Rafael Seabra em Educação Financeira
Certamente você já deve ter visto alguma propaganda divulgando um carro com juro zero. As condições são as melhores possÃveis: 50% de entrada mais saldo em 12 meses ou 55% de entrada mais saldo em 24 meses. Parece excelente, não é?
O problema é que essas propagandas são enganosas. Para um financiamento ser considerado isento de taxa de juros, ele precisaria ter duas caracterÃsticas bem simples: (1) o valor do financiamento ser igual ao valor à vista e (2) o valor das parcelas ser exatamente a divisão do valor à vista pela quantidade de meses. Não é nem uma coisa nem outra.
O intuito deste artigo é mostrar que não existe carro com juro zero e explicar como as concessionárias embutem os juros para que o consumidor pague sem perceber.
Taxa de abertura de crédito
A forma mais clássica de incluir os juros no valor das parcelas é a famosa taxa de abertura de crédito, que atende por várias siglas: TAC, TC, TIR, entre outras. Para que a financeira possa “abrir seu crédito”, é cobrada uma taxa que varia entre R$ 600,00 a mais de R$ 1.000,00.
E o mais interessante: ela varia conforme o valor do financiamento. Quanto mais caro for o valor financiado, maior essa taxa. Por que motivo uma “simples” taxa para abertura de crédito custaria tanto dinheiro e ainda variaria de acordo com o valor financiado? Juros embutidos, obviamente!
E olhe que a taxa de abertura de crédito é considerada abusiva e, portanto, ilegal. Ainda assim os bancos continuam cobrando essa taxa – sob diversos nomes – mesmo tendo ciência da ilegalidade.
Desconto na compra à vista
Essa é outra situação que define bem a inexistência do juro zero. Se uma concessionária oferece um desconto para pagamento à vista, logo esse valor é menor que o financiamento. Isso deixa claro que o “desconto”, na verdade, é “pseudo juro zero”.
Para que a taxa de juros seja igual à zero, o valor do carro à vista não poderia ser diferente do valor do financiamento. Se existe a possibilidade de conseguir um desconto, então não há o que se falar de juro zero.
E ainda tem o IOF…
Para completar o “conto do juro zero”, ainda temos o IOF. Com o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), de 1,5% para 3% ao ano, no crédito a pessoas fÃsicas desde abril de 2011, o valor das parcelas de um financiamento fica ainda mais alto.
Numa simulação feita em matéria d’O Globo para um financiamento em 60 meses de um carro popular no valor de R$ 30 mil e taxa de juros de 1,8% ao mês, o IOF representa um aumento de R$ 739,20.
Conclusão
Muitas vezes na ânsia de comprar um carro zero, tendemos a acreditar nessas “promoções imperdÃveis” das concessionárias. Mas precisamos colocar a razão no lugar da emoção quando efetuamos qualquer compra, sobretudo quando se trata de valores tão altos, como na compra de um automóvel.
Assim que se deparar com uma promoção de qualquer carro com juro zero, saiba que existem três coisas embutidas no custo desse financiamento:
- Taxa de abertura de crédito;
- Desconto para compra à vista;
- IOF de 3% ao ano.
Gostou deste artigo?
Se você gostou deste artigo do Quero Ficar Rico, tenho certeza que vai adorar o eBook Como Investir Dinheiro, que ensina tudo que você precisa saber sobre educação financeira e investimentos, além de dar suporte para organizar seu orçamento familiar e projetar sua independência financeira.
Se você comprar agora, receberá também 5 bônus exclusivos (3 eBooks e 2 planilhas financeiras). Você tem 30 dias para avaliar o material e se não ficar satisfeito, peça seu dinheiro de volta. Clique AQUI e saiba mais sobre o eBook Como Investir Dinheiro.
Além disso, siga-nos no Twitter (@QueroFicarRico), curta nossa página no Facebook (facebook.com/QueroFicarRico) e compartilhe este conhecimento com seus amigos através dos botões abaixo:
Rafael Seabra
Rafael Seabra é educador financeiro, pós-graduado em Finanças pelo Ibmec, editor do Quero Ficar Rico, um dos sites de maior audiência do paÃs na área de Educação Financeira, e autor do livro Como Investir Dinheiro.
Outros textos de Rafael Seabra




















