O QUE É O DEPÓSITO COMPULSÓRIO?

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Ontem (25) foi noticiado que o Banco Central deve retirar do mercado R$ 71 bilhões, reduzindo a oferta de crédito dos bancos. Com isso, o BC reverte parte das medidas que flexibilizaram o recolhimento compulsório, a parcela dos depósitos que os bancos devem manter no Banco Central. Ou seja, na época da crise foi permitido que os bancos retirassem parte do dinheiro que eles deixam no BC para aumentar a liquidez do mercado e aliviar a crise, mas agora, com a situação sob controle, os bancos devem repor esse dinheiro, através do depósito compulsório.

Mas, afinal, o que é o depósito compulsório, quais os tipos de compulsório e como ele funciona? O propósito desse artigo é tirar essas dúvidas com uma linguagem simples e sem jargões econômicos. Vamos lá!

O depósito compulsório é um dos instrumentos que o BC (Banco Central) usa para controlar a quantidade de dinheiro que circula na economia. O mecanismo influencia o crédito disponível e as taxas de juros cobradas. É geralmente feito através de determinação legal, obrigando os bancos comerciais e outras instituições financeiras a depositarem, junto ao Banco Central, parte de suas captações em depósitos à vista, a prazo ou poupança.

Quando reduz o compulsório, o BC dá aos bancos mais dinheiro para emprestar aos seus clientes. Isso pode ajudar a reduzir os juros bancários ou, em momentos de mais escassez de dinheiro, como atualmente, impedir que sequem as fontes de crédito para o consumidor e para empresas.

Veja quais são e como funcionam os diferentes tipos de compulsório:

1) Depósitos à vista

Os bancos são obrigados a recolher 42% dos depósitos à vista (dinheiro da conta corrente) feitos pelos seus clientes e depositar o dinheiro em espécie no BC. Sobre esse valor a recolher, é dado um desconto de R$ 44 milhões. Ou seja, os bancos só depositam aquilo que ultrapassa esse valor. Esse dinheiro fica parado, sem remuneração. Equivale hoje a cerca de 20% de todo o compulsório recolhido pelo BC.

2) Depósitos a prazo

Os bancos são obrigados a recolher 15% dos depósitos a prazo (CDB, por exemplo) feitos pelos seus clientes. Mas ao invés de depositar o dinheiro em espécie, o recolhimento é feito por meio de títulos públicos. Dessa forma, o banco fica com a remuneração do título. Há um desconto de R$ 2 bilhões no valor a ser recolhido. Representa cerca de 20% de todo o compulsório recolhido.

3) Caderneta de poupança

O BC exige o recolhimento, em espécie, de 20% do dinheiro que os clientes aplicam na poupança. Nesse caso, o dinheiro é remunerado pelo BC, que paga TR + 3% ao ano ao banco. Representa de 25% a 30% de todo o compulsório recolhido pelo BC.

Qual a finalidade do compulsório?

Além de controlar as taxas de juros cobradas e a oferta de crédito disponível no mercado, ele tem outro fim muito importante: evitar a multiplicação da moeda escritural. Isso quer dizer que quando uma pessoa deposita certa quantia de dinheiro num banco comercial, esta quantia fica disponível para que o banco a empreste a outro cliente. Este cliente, por sua vez, não gasta imediatamente todo o dinheiro tomado como empréstimo, mas deposita o valor tomado em um segundo banco.

Neste ponto temos uma multiplicação da moeda, já que o primeiro depositante tem a totalidade de seu dinheiro disponível em moeda escritural (pode emitir um cheque nesse valor, ou fazer compras com cartão de débito, por exemplo) e o segundo depositante também tem a mesma quantidade disponível. Entretanto, a quantidade de moeda “real” é apenas a quantidade que foi depositada pelo primeiro depositante.

Ainda restam dúvidas sobre o assunto? Deixem comentários ou fiquem à vontade para complementar o texto através dos próprios comentários ou por e-mail, através da página de contato.

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  • Rosana

    Rafael,
    Gostei muito do artigo.
    É um tema muito complexo e você conseguiu explicar de forma bem didática. Como não estou familiarizada com o tema, li várias vezes para conseguir entender bem.

  • http://queroficarrico.com/blog/ Rafael Seabra

    Obrigado, Rosana!

    Eu mesmo conhecia muito pouco sobre o assunto, mas muitas vezes os termos técnicos econômicos, também conhecidos como “economês”, complicam ainda mais um assunto que poderia ser mais simples.

    O objetivo, não apenas deste mas de todos os artigos do blog, é explicar os mais diversos temas numa linguagem sem “economês” :)

    Abraço!

  • http://sol.nato@hotmail.com Nonato

    Rafael, parabéns bem sucinto e muito objetivo nas suas explicações, Obrigao continue assim.Um forte abraço.

  • http://dinheirama.com Navarro

    Rafael, muito interessante e didático o artigo. Parabéns! O blog está muito bacana. Aproveito para parabenizá-los pelos mais de 1500 assinantes RSS. É uma marca que merece muita comemoração. Grande abraço. Sucesso!

  • oneide

    Qual a finalidade do compulsório?a explicação esta imcompleta.

    “Vejamos como funciona o processo de reservas fracionárias na ausência de um banco central. Eu crio o Banco Rothbard e invisto nele, como capital inicial, $1.000 em moeda manual (se é ouro ou cédula de papel não interessa nesse caso). Então eu “empresto” $10.000 para alguém, que irá ou gastar com consumo puro e simples ou investir em seus negócios. Agora, como é que eu posso “emprestar” mais do que eu tenho? Ahh, essa é a mágica da “fração” das reservas fracionárias. Eu simplesmente crio uma conta-corrente de $10.000 e empresto alegremente esse valor para o senhor José. E por que José vai querer esse empréstimo de mim? Por que ele não procura outros meios? Bom, como eu não preciso poupar $10.000 (apenas $1.000), eu posso cobrar juros menores do que cobrariam aqueles reais poupadores que porventura também estivessem dispostos a emprestar (nesse caso, $10.000 genuinamente poupados)”.
    fonte:
    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=311

  • wilson

    cara !!! q 10 gostei muito do blog ta de parabens vou colocar nos favoritos e acompanhar… será que ja tem alguma coisa ai sobre a crise na grecia ?? abraço!!

  • http://twitter.com/SeabraRafael Rafael Seabra

    Wilson,

    Temos sim! Acesse o artigo “Diferenças entre a crise atual e a crise financeira de 2008″, através do link:
    http://queroficarrico.com/blog/2010/05/25/diferencas-entre-crise-atual-e-crise-financeira-de-2008/

    Abraço!

  • juliana

    oi rafael.. tudo bem ?
    estou estudando por conta propria para o concurso da CVM. tem uma questao na prova de 2008 que nao sei como responder, pois nao fiz economia, nunca vi na faculdade, formei em serviço social e vou fazer a prova para nivel medio. a questao é a seguinte: considerando os seguintes dados: (1) um fluxo continuo de depositos e emprestimos
    (2) e a partir de um deposito de $1000,00 deito num banco comercial.
    (3) e com a hipotese de 20% de deposito compulsorio no banco central. o valor referente das reservas bacen que a quinta instiuicao financeira teria no seu balancete seria de?

  • Guiferrazcampos

    Excelente Artigo!!

    • http://www.queroficarrico.com.br Rafael Seabra

      Muito obrigado.

      Abraço!

  • Phamela Froner

    e sobre os investimentos compulsório?? pode citar um exemplo?

  • Joseni Chaves

    Quem fiscaliza o recolhimento dos compulsorios?

    • http://www.queroficarrico.com.br Rafael Seabra

      Joseni,

      Acredito que seja o próprio Banco Central.

      Abraço!

      • Joseni Chaves

        obrigada Rafael pela resposta

  • Joseni Chaves

    O banco central recolhe os compulsorios, mais quem fiscaliza? me ajudem, obrigada joseni

    • Margarete

      Joseni, não seria o CMN