E TUDO COMEÇOU COM TULIPAS
Publicado em 15.07.2008 por Rafael Seabra em Curiosidades, Economia
A tulipa foi introduzida na Europa durante a metade do século XVI à época do Império Otomano. Pensa-se que seu cultivo nas Sete Províncias tenha começado em 1593, quando Charles de L’Ecluse criou mudas de tulipa capazes de tolerar as ásperas condições climáticas da Holanda, a partir de bulbos que lhe haviam sido enviados da Turquia por Ogier de Busbecq. No começo do século XVII, a flor já era muito usada na decoração de jardins e também na medicina.Apesar de não terem perfume e florescerem apenas por uma ou duas semanas ao ano, os jardineiros holandeses apreciavam as tulipas pela sua beleza. Muitos mercadores, artesãos e coleccionadores preferiam coleccionar e pintar tulipas a quadros.
Rapidamente a popularidade das flores aumentou. Mudas especiais recebiam denominações exóticas ou nomes de almirantes da marinha holandesa. As mais espectaculares e altamente desejadas tinham cores vívidas, linhas e pétalas flamejantes. A tulipa se tornara um cobiçado artigo de luxo e símbolo de status social e estabelece-se a competição entre membros das altas classes pela posse das variedades mais raras. Os preços disparam.
Em 1623, um simples bulbo de uma variedade famosa de tulipa poderia custar muitos milhares de florins holandeses. Tulipas foram trocadas por terras, animais valiosos. Algumas variedades podiam custar mais que uma casa em Amesterdão. Dizia-se que um bom negociador de tulipas conseguia ganhar seis mil florins por mês, quando a renda média anual, à época, era de 150 florins.
Por volta de 1635, a venda de 40 bulbos por 100.000 florins foi um recorde. Para efeito de comparação, uma tonelada de manteiga custava algo em torno de 100 florins e oito porcos graúdos custavam 240 florins. O recorde foi a venda de um dos mais famosos bulbos, o Semper Augustus, por 6.000 florins, em Haarlem.
Em 1636, tulipas eram vendidas nas bolsas de valores de numerosas cidades holandesas. O comércio das flores era encorajado por todos os membros da sociedade; muitas pessoas vendiam ou negociavam suas posses no intuito de especular no mercado de tulipas. Alguns especuladores tiveram muito lucro, enquanto outros perderam tudo ou quase tudo o que tinham.
Negociantes passaram a vender bulbos das tulipas que tinham acabado de plantar ou ainda que tencionavam plantar (os chamados contratos futuros de tulipas) – apesar de um édito de 1610 ter proibido esse tipo de negócio. O fenómeno foi chamado windhandel (“negócio de vento”) e ganhou espaço sobretudo em tavernas de cidades pequenas, onde se usava uma espécie de lousa para indicar as ofertas de preço.
Em Fevereiro de 1637, os comerciantes de tulipas não conseguiam inflacionar mais os preços de seus bulbos e então começaram a vendê-los. A bolsa de valores estourou. Começou-se a suspeitar que a procura por tulipas não duraria e isso propagou o pânico no mercado. Alguns deixaram de segurar contratos para compra de tulipas, estabelecidos a preços que agora eram dez vezes maiores que os preços de mercado; outros acharam-se na posse de bulbos cujo preço era muito inferior ao que haviam pago. Consequentemente, milhares de holandeses, incluindo executivos e membros da alta sociedade, ficaram arruinados.
As tentativas de resolver a situação fracassaram. Os juízes consideraram as dívidas como contratados através de especulação e portanto, sem valor legal. Assim, as pessoas permaneceram abarrotadas de bulbos comprados antes da quebra, já que nenhum tribunal determinaria a execução do pagamento desses contratos.
Versões menores da tulipamania também ocorreram em outras partes da Europa, entretanto nunca chegaram ao nível da que ocorreu na Holanda. Na Inglaterra de 1800, era comum pagar cinquenta guinéus por um único bulbo de tulipa. Esta soma poderia manter um trabalhador e sua família com comida, roupa e aluguer por seis meses.
No século XX descobriu-se que as pétalas repletas de babados e cores vicejantes, que davam a essa flor um ar apoteótico, eram, de facto, resultado de uma infecção causada por um vírus que só atingia tulipas, conhecido como Tulip Breaking potyvirus. A flor saudável era considerada sólida, macia e monótona.
Fonte: Think Finance
Rafael Seabra
Educador Financeiro e consultor de Tecnologia da Informação, cursa o MBA em Finanças pelo Ibmec e é formado em Ciência da Computação pela UFPE. Autor do blog Quero Ficar Rico, ministra palestras e cursos de Educação Financeira.
Outros textos de Rafael Seabra- Compensa mais investir a curto ou longo prazo? (846)
- Qual a melhor estratégia para investir? (792)
- Melhores corretoras 2010 (745)
- 10 franquias mais baratas do Brasil (616)
- Dicionário das taxas: entenda o significado de cada uma delas (575)
- Quero Ficar Rico 2.0: Blog de cara nova para vocês (452)
- Monte seu fundo referenciado DI através do Tesouro Direto (439)
- Como é calculada a aposentadoria pelo INSS (400)
- Como gastar dinheiro (382)
- 5 livros mais vendidos de finanças e mercado de capitais (332)




COMO FUNCIONA O RESGATE DA POUPANÇA 



DICAS PARA COMPRAR MATERIAL ESCOLAR 



QUANTO O CARRO CUSTA NO ORÇAMENTO? 



TESOURO DIRETO: BOA RENTABILIDADE E BAIXO RISCO 



MAIS RICOS DO MUNDO 2010 



INSS OU PREVIDÊNCIA PRIVADA? 



AUXÍLIO-RECLUSÃO OU BOLSA-BANDIDO? 



CRIANÇAS E DINHEIRO 



ENTENDA O CÁLCULO DA POUPANÇA 



DIFERENÇA ENTRE FUNDO DI E RENDA FIXA














