MARCAÇÃO A MERCADO
Publicado em 18.06.2008 por César França em Economia
Um dos conceitos mais importantes da gestão de recursos, com especial relevância para quem aplica em fundos de investimentos, é o de marcação a mercado (MaM). Afinal de contas, o valor dos recursos que o investidor aplicou varia de acordo com a cota do fundo, e é neste ponto que o conceito de marcação a mercado ganha importância.
Na MaM, os preços dos papéis que compõem a carteira do fundo e que, portanto, irão definir o valor da cota, são estipulados com base no valor a mercado desses tÃtulos a cada instante. Essa avaliação diária é importante mesmo para os tÃtulos de renda fixa pré-fixada, ou seja, aqueles que têm a taxa pré-determinada no momento da aplicação, pois esses tÃtulos também sofrem oscilações de preço até a sua data de vencimento.
Suponha que você tenha aplicado R$ 1.000,00 no inÃcio de um mês, quando a taxa de juro foi de 1% ao mês em um fundo de investimentos que não contabiliza seus ativos de acordo com o real valor de mercado. Na metade do mês, uma grave crise econômica ocorre e o Banco Central eleva os juros, que passam a 2% ao mês. Nesse dia, um investidor, aproveitando a alta dos juros, também aplica R$ 1.000,00 no mesmo fundo.
No seu caso, que aplicou no inÃcio do mês, seu dinheiro rendeu 1% ao mês até a metade daquele mês, ou seja, 0,5% e você passa a ter R$ 1.005. Na segunda metade do mês, seu dinheiro renderá 1%, já que os juros chegam a 2% ao mês. Logo, ao final de 30 dias, você terá R$ 1.015,05, o que representa rentabilidade no mês de 1,51%.
Por outro lado, o segundo investidor, que aplicou na metade do mês, também obterá 1% na segunda metade do mês, e o montante do investimento atingirá R$ 1.010. Porém, houve uma transferência de riquezas, já que se fosse calculada a rentabilidade mensal equivalente para o mês desse investidor ela seria de 2,01%, acima dos 1,51% que seu dinheiro rendeu.
Com a MaM, isso não ocorreria e todos os cotistas teriam a mesma rentabilidade, independentemente do momento em que o dinheiro for aplicado ou de qualquer alteração na Selic.
Por causa desta diferença, quando a MaM foi estabelecida em 2002, gerou-se um saque em massa dessas aplicações. Porém, os cotistas desses fundos que sacaram seus recursos na época estão conseguindo no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) decisões favoráveis que determinam que os bancos os indenizem pelos prejuÃzos que sofreram no perÃodo. As ações judiciais contra os bancos multiplicaram-se paÃs afora e o teor das decisões varia desde a responsabilização dos bancos até dos próprios cotistas. Os casos serão resolvidos definitivamente pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) – que fatalmente analisará a questão, pois muitas apelações já chegaram à corte.
Os investidores que não têm processos na Justiça também poderão beneficiar-se dos resultados, se positivos, das ações coletivas propostas em 2002 por entidades de defesa do consumidor – caso do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e do Ministério Público Federal.
Com a contribuição de Bruno Suassuna.
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César França
Educador financeiro e professor universitário de Engenharia de Software, cursa doutorando em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Pernambuco. Autor do blog Quero Ficar Rico, ministra palestras e cursos de Educação Financeira.
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