Textos com a tag crise financeira
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POR QUE O DÓLAR SOBE E O QUE FAZER AGORA?
Publicado em 10.10.2008 por Rafael Seabra em Câmbio, Economia
Além da queda das bolsas causada pela crise financeira [entenda AQUI], outro fato que tem deixado muita gente preocupada é a alta do dólar nos últimos dias. Vejamos alguns números: desde 01/08, o dólar subiu 53,4% até quarta-feira passada (08). O dia 1º de agosto foi aquele em que o dólar atingiu seu valor mais baixo (R$ 1,5593) desde 1999. Ontem (09) o dólar caiu 3,97%, fechando em R$ 2,203, porque o Banco Central fez, mais uma vez, leilão de dólares [depois de 5 anos] para segurar o valor da moeda americana. Leiloar dólar à vista, vendendo uma parte nossa reserva, serve para colocar [ofertar] dólar no mercado e, como manda a lei da oferta e da procura, baixa a cotação. Com mais dólares no mercado, o BC espera que a cotação da moeda caia. Mas, depois de ver todos esses números, fica a pergunta: por que o dólar sobe? -
ENTENDA A CRISE FINANCEIRA
Publicado em 08.10.2008 por Rafael Seabra em Economia
Segunda-feira, 6 de outubro de 2008, foi um dia de pânico para os mercados financeiros em todo o mundo. A Bovespa suspendeu o pregão por duas vezes, através de um mecanismo de segurança chamado “circuit breaker“. Bolsas do mundo inteiro também sofreram grandes quedas. As bolsas de valores da Ásia e Europa viveram um dia de quedas abruptas. Na primeira sessão após a aprovação do pacote de resgate norte-americano, Tóquio perdeu 4,2% e Hong Kong, 3,4%. Quedas entre 7% e 9% ocorreram também em Londres, Paris e Frankfurt. Em Moscou, a bolsa despencou 19%. Em todos estes casos, as quedas foram puxadas pelo desabamento das ações de bancos importantes. Em São Paulo, os negócios foram interrompidos duas vezes, quando quedas drásticas acionaram as regras que mandam suspender os negócios em caso de instabilidade extrema. Apesar da intervenção do Banco Central, o dólar chegou a R$ 2,20.A crise iniciada há pouco mais de um ano, no setor de empréstimos hipotecários dos Estados Unidos, teve dois fatos importantes nos últimos dias. Entre 15 e 16 de setembro, a falência de grandes instituições financeiras norte-americanas deixou claro que a devastação não iria ficar restrita ao setor imobiliário. Em 12/9, o banco de investimentos Lehman Brothers quebrou, depois que as autoridades monetárias recusaram-se a resgatá-lo. No mesmo dia, o Merrill Lynch anunciou sua venda para o Bank of America. Em 15/9, a mega-seguradora AIG (a maior do mundo, até há alguns meses) anunciou que estava insolvente, sendo nacionalizada no dia seguinte com aporte estatal de US$ 85 bilhões. No início de outubro, começou a disseminar-se a sensação de que o pacote de 700 bilhões de dólares montado pela Casa Branca para tentar o resgate produziria efeitos muito limitados. Como veremos a seguir, o pacote é um conjunto de medidas que socorre com dinheiro público as instituições financeiras mais afetadas, mas não assegura que os recursos irriguem a economia, muito menos protege as famílias endividadas.
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E TUDO COMEÇOU COM TULIPAS
Publicado em 15.07.2008 por Rafael Seabra em Curiosidades, Economia
A tulipa foi introduzida na Europa durante a metade do século XVI à época do Império Otomano. Pensa-se que seu cultivo nas Sete Províncias tenha começado em 1593, quando Charles de L’Ecluse criou mudas de tulipa capazes de tolerar as ásperas condições climáticas da Holanda, a partir de bulbos que lhe haviam sido enviados da Turquia por Ogier de Busbecq. No começo do século XVII, a flor já era muito usada na decoração de jardins e também na medicina.Apesar de não terem perfume e florescerem apenas por uma ou duas semanas ao ano, os jardineiros holandeses apreciavam as tulipas pela sua beleza. Muitos mercadores, artesãos e coleccionadores preferiam coleccionar e pintar tulipas a quadros.
Rapidamente a popularidade das flores aumentou. Mudas especiais recebiam denominações exóticas ou nomes de almirantes da marinha holandesa. As mais espectaculares e altamente desejadas tinham cores vívidas, linhas e pétalas flamejantes. A tulipa se tornara um cobiçado artigo de luxo e símbolo de status social e estabelece-se a competição entre membros das altas classes pela posse das variedades mais raras. Os preços disparam.
Em 1623, um simples bulbo de uma variedade famosa de tulipa poderia custar muitos milhares de florins holandeses. Tulipas foram trocadas por terras, animais valiosos. Algumas variedades podiam custar mais que uma casa em Amesterdão. Dizia-se que um bom negociador de tulipas conseguia ganhar seis mil florins por mês, quando a renda média anual, à época, era de 150 florins.
Por volta de 1635, a venda de 40 bulbos por 100.000 florins foi um recorde. Para efeito de comparação, uma tonelada de manteiga custava algo em torno de 100 florins e oito porcos graúdos custavam 240 florins. O recorde foi a venda de um dos mais famosos bulbos, o Semper Augustus, por 6.000 florins, em Haarlem.
Em 1636, tulipas eram vendidas nas bolsas de valores de numerosas cidades holandesas. O comércio das flores era encorajado por todos os membros da sociedade; muitas pessoas vendiam ou negociavam suas posses no intuito de especular no mercado de tulipas. Alguns especuladores tiveram muito lucro, enquanto outros perderam tudo ou quase tudo o que tinham.
Negociantes passaram a vender bulbos das tulipas que tinham acabado de plantar ou ainda que tencionavam plantar (os chamados contratos futuros de tulipas) – apesar de um édito de 1610 ter proibido esse tipo de negócio. O fenómeno foi chamado windhandel (“negócio de vento”) e ganhou espaço sobretudo em tavernas de cidades pequenas, onde se usava uma espécie de lousa para indicar as ofertas de preço.
Em Fevereiro de 1637, os comerciantes de tulipas não conseguiam inflacionar mais os preços de seus bulbos e então começaram a vendê-los. A bolsa de valores estourou. Começou-se a suspeitar que a procura por tulipas não duraria e isso propagou o pânico no mercado. Alguns deixaram de segurar contratos para compra de tulipas, estabelecidos a preços que agora eram dez vezes maiores que os preços de mercado; outros acharam-se na posse de bulbos cujo preço era muito inferior ao que haviam pago. Consequentemente, milhares de holandeses, incluindo executivos e membros da alta sociedade, ficaram arruinados.
As tentativas de resolver a situação fracassaram. Os juízes consideraram as dívidas como contratados através de especulação e portanto, sem valor legal. Assim, as pessoas permaneceram abarrotadas de bulbos comprados antes da quebra, já que nenhum tribunal determinaria a execução do pagamento desses contratos.
Versões menores da tulipamania também ocorreram em outras partes da Europa, entretanto nunca chegaram ao nível da que ocorreu na Holanda. Na Inglaterra de 1800, era comum pagar cinquenta guinéus por um único bulbo de tulipa. Esta soma poderia manter um trabalhador e sua família com comida, roupa e aluguer por seis meses.
No século XX descobriu-se que as pétalas repletas de babados e cores vicejantes, que davam a essa flor um ar apoteótico, eram, de facto, resultado de uma infecção causada por um vírus que só atingia tulipas, conhecido como Tulip Breaking potyvirus. A flor saudável era considerada sólida, macia e monótona.
Fonte: Think Finance





















