Tabela Price: sistema de amortização com parcelas iguais

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Tabela Price: sistema de amortização com parcelas iguaisA Tabela Price, ou Sistema Francês de Amortização, é amplamente utilizada em todo o mundo ocidental por ser o único sistema que permite o pagamento em parcelas iguais e periódicas ao longo do prazo do empréstimo.

Embora a Tabela Price seja também muito utilizada no Brasil pelo mercado e segmentos financeiros, seu uso tem sido contestado perante a justiça brasileira, uma vez que a legislação brasileira permite o uso de juros compostos somente em determinadas operações que possuam previsão legal.

O objetivo deste artigo é explicar o que é a Tabela Price, como o valor da prestação é calculado, apresentar um exemplo para facilitar a compreensão e discutir a legalidade desse importante dispositivo.

Tabela Price

Os financiamentos utilizando a Tabela Price são oferecidos com o propósito de prestações fixas ao longo do período de quitação do bem.

O método Price consiste em calcular prestações fixas, sendo que o saldo devedor é amortizado aos poucos, até a quitação do débito. Os juros estão embutidos nas prestações.

Para facilitar o entendimento, darei um exemplo. Vamos considerar um financiamento de R$ 10.000, com taxa de juros de 1,00% ao mês, e com prazo de 12 meses para quitação.

Utilizando uma calculadora financeira (HP 12C, por exemplo), descobrimos facilmente que o valor da prestação será R$ 888,49 (PV = 10000, i = 1, n = 12, PMT).

Para facilitar, ao invés de explicar esse cálculo, vou disponibilizar uma planilha para download com a fórmula para calcular essa prestação. Quem tiver curiosidade em entender o cálculo, basta observar a fórmula da planilha. Para baixá-la, clique AQUI.

Na figura a seguir, veja uma tabela especificando o valor dos juros pagos e da amortização sobre o valor do saldo devedor. Assim teremos condições de analisar todos os passos mensais de um empréstimo:

Tabela PriceAs colunas da tabela acima têm os seguintes significados:

  • Juros: A quantidade de juros cobrados no período;
  • Amortização: O quanto da dívida foi paga após ter sido efetuado o pagamento dos juros do período;
  • Saldo Devedor: O quanto da dívida está pendente para ser paga.

Como pode ser visto, com o passar do tempo os juros diminuem e a amortização cresce, de modo que o valor da prestação permaneça exatamente o mesmo: R$ 888,49.

A Tabela Price é ilegal?

Essa discussão é bastante controversa, apesar de já existirem diversas decisões favoráveis à ilegalidade da tabela price.

O principal argumento passa pelo raciocínio lógico que se resume no seguinte:

  1. O art. 4º do Decreto Lei n. 22.626/33 proíbe o anatocismo, juros compostos ou juros sobre juros;
  2. A Tabela Price (ou sistema francês) é o sistema de amortização que incorpora juros compostos às amortizações de empréstimos e financiamentos;
  3. Conclusão: a tabela price é ilegal.

Caso você tenha interesse em se aprofundar nessa discussão, recomendo a leitura do artigo “A Tabela Price é ilegal?“, publicado no renomado site jurídico Jus Navigandi.

Imagem: sxc.hu

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  • Jpo1000

    É claro que é ilegal Rafa! Só que no Brasil tudo que é envolto de um ” jeitinho ” para se burlar e assim ganhar mais dinheiro é sempre muito utilizado até que por fim alguma lei seja alterada finalmente proibindo tamanha discrepância.

    Abraço!

    • http://www.queroficarrico.com.br Rafael Seabra

      Antes eu não achava errado, mas ao ler bastante sobre o assunto, também tenho a mesma opinião sobre a ilegalidade da tabela Price.

      Abraço!

  • Botelho_ab6

    É por isso que se voce for quitar um financiamento não há quase desconto, pois os juros são pagos no início.

    • http://www.queroficarrico.com.br Rafael Seabra

      É verdade, Botelho. Nesse sistema de amortização de financiamento (Price), os juros ficam no início, justamente para manter o mesmo valor das parcelas.

      Abraço!

  • Edgard Santos

    Rafael, na maioria dos financiamentos de imóvel no inicio as parcelas são maiores de com o tempo o valor vai diminuindo, mas pretendo quitar o financiamento mais rápido possível, nesse caso não existe um financiamento que no inicio as parcelas são menores e com o tempo vai aumentando, já ouvi de um economista que para o meu caso esse é o cenário, é isso mesmo?

    Boa noite.

    • Solwins

      Rafael,

      Se a tabela é ilegal como que bancos publicos como a Caixa Economica as utilizam nos seus emprestimos consignados? Estava interessado em quitar uma divida que eu tenho com a instituição de forma antecipada mas descobri que praticamente só paguei juros até o momento e isso desanima.

      • http://www.queroficarrico.com.br Rafael Seabra

        Porque, na verdade, essa questão ainda é controversa. Já existem decisões que indicam sua ilegalidade, mas também há decisões que ainda permitem sua utilização.

        Enquanto não se chega a uma unanimidade, ela continua sendo utilizada.

        Abraço!

    • http://www.queroficarrico.com.br Rafael Seabra

      Edgard, nesse caso é utilizado o sistema de amortização constante (SAC), onde pagamos sempre o mesmo valor para amortização do principal e os juros é que são reduzidos, justamente por conta da redução do saldo devedor.

      Pelo pouco que conheço do mercado imobiliário, geralmente utilizam esse sistema de amortização (SAC), e não a tabela Price.

      Abraço!

  • Bruno

    Rafael,

    Meu carro é financiado pela Tabela Price. Porque o saldo devedor aumenta diariamente?
    Ex. Assim que paguei uma parcela liguei para financeira e solicitei o saldo devedor, uma semana depois liguei de novo e o saldo devedor estava maior um pouco.
    A Tabela dar a entender que o valor do saldo devedor fica congelado até o vencimento da proxima parcela…pode esclarecer? Obrigado!
    Abs, Bruno

    • http://www.queroficarrico.com.br Rafael Seabra

      Não fica congelado. Sobe todos os dias, por conta dos juros.

      Abraço!

      • Rômulo

        Rafael, então porque o saldo devedor do exemplo sempre diminui?

  • Fernando

    Sempre dou uma passsadinha no site pra ler os artigos do Rafael. Tenho aprendido muito desde então. Linguagem simples e direta. Parabéns

    • http://www.queroficarrico.com.br Rafael Seabra

      Obrigado, Fernando.

      Abraço!

  • Saulo Soares

    Rafa, não entendi a diferença entre a Tabela Price e o SAC;
    afinal, qual é aquela em que vc paga sempre o mesmo valor todo mês até quitar o débito total, sendo que apesar de todo mês vc pagar a mesma parcela, os juros dessa parcela é que vão diminuindo ao passo que a dívida vai ficando menor? Então vc paga sempre o mesmo valor, com o valor da amortização + os juros de modo que todo mês vc pague a mesma parcela. (Desculpe-me se ficou um pouco confuso, mas vc deve entender melhor :)

    Comecei a fazer um curso de finanças online, da universidade de Michigan, e estou aprendendo sobre amortização de empréstimos. Desculpe, ainda estou no 2º ano EM e portanto sou bem leigo nesses assuntos, então vc poderia me explicar de uma maneira um pouco mais simples?

    A propósito, no Brasil, qual é o mais utilizado? Price ou SAC???

    Obg desde já ;)

  • http://www.facebook.com/demetrio.antunesbassili Demetrio Antunes Bassili

    Em relação a esse assunto, descreverei a seguir meu comentário totalmente atrelado à ciência matemática. Há temas polêmicos que se arrastam por décadas, assim como o que trata de comprovar a existência de capitalização de juros nos financiamentos gerados pela Tabela Price. Existe anatocismo (contagem de juros sobre juros) nos financiamentos gerados pela tabela citada e também quando utilizado o SAC, SACRE, etc. Todos os sistemas de amortização que calculam juros sobre o saldo devedor praticam o anatocismo. Do ponto de vista operacional, pagar todos os juros do mês com o valor da prestação, e, do que sobrar, amortizar parte do principal, ou seja, aplicar o método utilizado no mercado e ensinado nos cursos básicos de matemática financeira, citado também no artigo 354 do Código Civil (Lei 10406/02) tem o seu valor, pois é dessa forma que, fácil e comumente, são controladas as variáveis do demonstrativo de evolução do saldo devedor (quadro de amortização). Entretanto, apenas de modo prático, facilitador, contábil pode-se utilizar esse recurso, pois ele, sem intenção, esconde a capitalização de juros. Quando analisamos originalmente a situação, a ciência matemática toma o seu lugar por meio de seus conceitos fundamentais, deixando de lado as técnicas que facilitam os cálculos, pois podem atrapalhar o entendimento do assunto. O homem, se quiser, pode até observar a matemática de forma alterada, porém nunca poderá mudá-la. O fato de ser possível, com o valor da prestação, pagar todos os juros do mês, e do que sobra, amortizar o principal (artigo 354), existe porque R$1,00 de juros vale o mesmo que R$1,00 de principal. Portanto, temos duas variáveis distintas (que não deveriam ser distorcidas) com a mesma unidade. Nesse caso, em se tratando de dinheiro e por possuírem a mesma unidade, contabilmente é possível controlar o financiamento da forma apontada acima sem afetar a variável “saldo devedor”. Note que também de forma operacional seria possível o inverso, ou seja, com o valor da prestação, amortizar o principal (parte), e como, inicialmente, nada sobraria desse pagamento, todos os juros permaneceriam, sem afetar em nada o campo “saldo devedor”. Nesse segundo caso, ao final do financiamento, somente existiriam juros a serem pagos com as últimas prestações. Deve-se dizer que, em ambos os casos, o mesmo financiamento seria quitado com as mesmas prestações pagas nas mesmas datas. O leitor está percebendo que, quando à despesa, não importa se observamos o financiamento dessa ou daquela forma, isto é, pagando os juros primeiramente ou não. O que importa para o mutuário é o quanto está se pagando (o anatocismo não está na forma de controle, e sim no regime de capitalização). A ciência matemática está acima da vontade humana e, nessa análise original, devemos observar o financiamento como a própria ciência estruturalmente o estabelece. Cada prestação mensal, proporcionalmente (se qualquer tendência ou inclinação para qualquer lado) paga parte do principal e parte dos juros, pois nunca poderemos nos esquecer que principal e juros são duas variáveis diferentes essencialmente. Não devemos também, originalmente, dar uma importância maior para qualquer uma delas. Assim, o anatocismo fica evidenciado de forma clara e todas as equações pertinentes ao assunto entram em sintonia com a ótica original exposta. Ao se calcular futuramente o valor das iguais prestações sob regime de juros simples (ressaltando o fato de que não existe uma fórmula prática – somente por computador se chega ao resultado correto com velocidade), por exemplo, notamos que o valor é menor do que sob regime de juros compostos (a diferença entre os regimes de capitalização pode ser relevante ou insignificante, pois depende dos dados fornecidos); e em ambos os casos, a observação original de suas variáveis atestam a precisão dos resultados obtidos em cada um dos dois tipos possíveis de aplicação de juros.

  • José Ady

    Rafael, você pode me explicar como calcular o desconto de um pagamento antecipado de prestação, na tabela price?

    Pode se colocar em um contrato de venda de terreno, como valor total do terreno o somatório dos valores das prestações (tabela price)?