FRAUDE BILIONÁRIA ATRAVÉS DE PIRÂMIDE FINANCEIRA
Publicado em 16.12.2008 por Rafael Seabra em Economia, Renda Extra
Muita gente deve ter ouvido falar da acusação contra Bernard Madoff, divulgada quinta-passada (11), por conta do esquema multibilionário e fradulento que ele criou através da administradora de fundos Bernard L. Madoff Investment Securities LLC.
A denúncia, reconhecida pelo próprio Madoff, é relativa a uma pirâmide financeira comandada pela empresa de Madoff. Antes de entrar em detalhes sobre o esquema e quem é Bernard Madoff, vou explicar o que é e como funciona uma pirâmide financeira.
O que é uma pirâmide financeira?
Uma pirâmide financeira, que também pode ser confundida com marketing de rede (apesar de existirem produtos sérios nesse ramo), é um esquema onde você investe um determinado valor para entrar na pirâmide, beneficiando quem já está nela, e receberá uma parte dos futuros integrantes dessa pirâmide, que forem convidados por você. A figura acima ilustra um exemplo bem simples – e comum – desse esquema. Certamente a maioria de vocês já devem ter conhecimento de algo desse tipo, nem que seja por correntes de e-mail pedindo para depositar “x” reais na conta de alguém, colocar seu nome na lista e repassar para 6 pessoas, por exemplo.
Em estruturas mais elaboradas, você adquire um produto (que podem ser produtos para emagrecer, cartões de crédito, alimentos) de algum membro dessa estrutura (que fica com uma parte do valor) e está apto a participar do negócio. Caso você convença outras pessoas a entrar nesse negócio, você ganhará um percentual sobre as aquisições delas. Como falei anteriormente, até existem empresas sérias nesse setor, mas a maioria – o que mancha a imagem e deixa muitas pessoas com pé atrás – é fraudulenta e insustentável. Entretanto não é o objetivo deste artigo discutir se negócios como a Dinastia Soluções Financeiras, Amway ou Herbalife são idôneos ou fraudentos.
O que Madoff fez?
E foi justamente isso que o fundo de investimento do Madoff fazia: prometia retornos sobre o investimento bem lucrativo para os padrões americanos (algo em torno de 10% ao ano), mas, na verdade, ele repassava um retorno financeiro aos clientes mais antigos através da entrada de recursos dos clientes mais recentes. Obviamente isso tudo acontecia sem o conhecimento dos integrantes do fundo. Vale ressaltar que, além de várias pessoas físicas, faziam parte do fundo bancos como o japonês Nomura, o francês BNP Paribas, o HSBC, o Royal Bank of Scotland e os espanhóis Santander e BBVA. Mas por qual motivo esse fundo fez tanto sucesso e atraiu bancos de renome internacional?
Quem é Bernard Madoff?
É aí onde entra o histórico do investidor Bernard Madoff. Ele foi nada menos do que o presidente da Nasdaq, bolsa americana de tecnologia. Madoff, de 70 anos, era tão respeitado em Wall Street que a SEC (Securities and Exchange Commission, a autoridade de regulação dos mercados americano) o havia nomeado em 2000 membro do conselho de consultores e solicitava freqüentemente seus conselhos, segundo o “Wall Street Journal”.
O mais interessante disso tudo é que ele afirmou que o negócio era insolvente e que vinha sendo assim por anos. Também declarou estimar que as perdas com essa fraude seriam de pelo menos aproximadamente US$ 50 bilhões. Apesar disso, por conta da acusação de fraude, ele pode pegar uma pena de até 5 anos na prisão e uma multa de até US$ 5 milhões. Muito pouco para o tamanho do problema causado, não?
O SIPC (Securities Investor Protection Corporation), o organismo encarregado de proteger os interesses dos investidores, destacou que o volume da fraude e a situação das contas da empresa de Madoff tornam o caso particularmente difícil. A entidade advertiu nesta segunda-feira os investidores para que não tenham ilusões quanto a recuperar seu dinheiro.
Resumo do caso Madoff
O cara roubou uma grana considerável dos investidores e deve pegar uma pena, segundo a denúncia, quase insignificante se comparada ao tamanho da fraude. A maioria dos investidores (severamente prejudicados e inocentes, na minha opinião, já que não havia como prever que um fundo administrado por uma pessoa com esse histórico fosse fraudulento) provavelmente não verá a cor do dinheiro investido e já contabilizam suas perdas. Boa parte delas já foram expostas na reportagem publicada hoje (16) na Folha Online.
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Rafael Seabra
Rafael Seabra é educador financeiro, pós-graduado em Finanças pelo Ibmec, editor do Quero Ficar Rico, um dos sites de maior audiência do país na área de Educação Financeira, e autor do livro Como Investir Dinheiro.
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